segunda-feira, 31 de julho de 2023

ZAIDE SOLEDADE (1934 - 2015)


ZAIDE SOLEDADE 1934-2015)

Seu nome todo era  Zaide Soledade dos Santos e Silva. Se estivesse viva, faria hoje (31) 90 anos.;


PERFIL: Zaide Soledade Santos e Silva, seu nome completo,  foi uma paraense que adotou, desde cedo, Macapá como sua terra, e dedicou a nós toda a sua vida e seu coração, educando gerações. Ela nasceu em Óbidos-PA, em 31 de julho de 1934. Faleceu no dia 06 de agosto de 2015, com 81 anos.

 

Ao chegar pela primeira vez em Macapá, aos 17 anos, em 1952, Zaide Soledade trouxe na bagagem a vontade de ser alguém na vida, sem grandes pretensões, mas as necessidades do pequeno território a levaram a trilhar outros caminhos que não estavam nos planos, e ela se tornou uma das educadoras mais importantes do Amapá.

 

Trabalhou inicialmente na Casa Leão do Norte, dos irmãos Zagury, o maior estabelecimento comercial da época na cidade. Em 1958 ingressou na área da educação e cultura do Governo do Território e nunca mais parou. Foi Diretora da Escola de Arte Cândido Portinari, diretora do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Macapá, Ex-coralista do Coral Oscar Santos, conselheira do Conselho Municipal de Educação de Macapá, diretora do Teatro das Bacabeiras, conselheira do Conselho Estadual de Cultura por duas vezes e membro da diretoria da Confraria Tucuju. Zaide se revelou uma autêntica defensora da cultura de nosso Estado.

 

Sua vida sempre foi assim, cheia de surpresas e oportunidades. Em 1958 inicia o magistério em Tartarugalzinho, numa escola isolada e precária. “A escola era de madeira, coberta com cavaco, tudo era muito pobre, mas foi ali que me apaixonei pela profissão e descobri do que gostava de verdade, que é ensinar”, contou Zaide, para a jornalista Mariléia Maciel, numa entrevista.

 

Em uma das viagens para Macapá, onde recebia o salário, pago na época pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagens, outra porta se abriu. Passava em frente à antiga Radiofonia do Amapá, que funciona onde hoje é a Biblioteca Elcy Lacerda, e o jornalista Hélio Penafort a chamou, estava no telefone com o governador Pauxi Nunes, que ligava do Rio de Janeiro. “Ele me pediu o nome completo para ser enquadrada no Governo Federal e, por telefone, me tornei funcionária efetiva da União”, relembra.

 

E Zaide Soledade se apaixonou tanto pela educação pública, que foi estudar, pra aprender e ensinar melhor. Estudou Artes Dramáticas, Educação Física, Letras e Artes, entre outros cursos, inclusive na área de saúde. Foi professora de grandes personalidades atuais do Amapá, ajudando na formação e educação. Mas fora das salas de aula, Zaide exerceu papel importante na sociedade amapaense, foi conselheira de Educação e de Cultura, principal incentivadora para que a Guarda Municipal fosse criada em Macapá, deu nome ao Teatro das Bacabeiras, e foi atriz na primeira novela produzida no Amapá, Mãe do Rio, onde fez o papel de benzedeira.

 

Militou em favor de causas que considerava justas, como na luta dos educadores. Foi presidente da antiga Associação dos Professores do Amapá (APA), e integrou o Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (Sinsepeap) e o Centro Folclórico Amapaense.

 

Nota: O texto foi elaborado com informações sobre a professora Zaide, que já tinham sido publicadas antes pela jornalista Mariléia Maciel, por ocasião do aniversário da mestra, em 31 de julho de 2015.



quinta-feira, 27 de julho de 2023

MARCELO CANDIA (1916-1983)

 Marcelo Candia, construtor do Hospital São Camilo


          Se vivo  estivesse, completaria hoje (27), 107 anos. Mas não somos eternos; o que podem ser permanentes são as nossas ações. O químico industrial e empresário MARCELO CANDIA foi o construtor do Hospital Escola São Camilo e São Luiz, hoje, simplesmente, Hospital São Camilo.


PERFIL


          Empresário italiano, MARCELO CANDIA viveu em Macapá a partir de 1957. Construtor do Hospital Escola São Camilo e São Luis. Nasceu em Pórtice (Nápoles, Itália) em 27 de julho de 1916, e faleceu em 13 de agosto de 1983. Em 1939 forma-se em Química, e em 1943 em Ciências Biológicas. Em 1946 assume a direção da fábrica do pai, Camilo Candia. Através da amizade com o padre Aristides Piróvano, amadurece seu projeto de ser missionário leigo na Amazônia.     

          A primeira viagem a Macapá aconteceu em 1957 mas volta à Itália e resolve vender a industria, transferindo-se definitivamente para Macapá em 1965.

Em 25 de janeiro de 1961 lança a pedra fundamental do Hospital São Camilo, que ficou pronto em dezembro de 1970.  Em 3 de outubro de 1969 consegue, juntamente com o bispo D. José Maritano, a criação de uma comunidade das Irmãs de Nossa Senhora Menina do Hospital São Camilo.

            Em 1975 cede o hospital aos camilianos do Brasil. Em 31 de agosto de 1983 falece Candia em Milão-Itália. Em 23 de junho de 1995 abre-se no Vaticano o processo pela causa da Beatificação de Marcelo Candia, e hoje é um Beato, esperando a canonização papal.

terça-feira, 25 de julho de 2023

FESTA DE SÃO TIAGO

 FESTA DE SÃO TIAGO EM MAZAGÃO VELHO

 


 A HISTÓRIA DA FESTA

 

A atual vila de Mazagão Velho, situada a 36 km da sede do município (Mazagão Novo), às margens do rio Mutuacá, foi fundada em 1770 com o objetivo de abrigar 163 famílias de colonos portugueses vindos da costa africana em decorrência dos conflitos políticos-religiosos entre portugueses e muçulmanos que ainda por lá perduravam. Essas famílias e seus escravos chegaram no local por volta de 1771. A partir de 1777, em reverência a São Tiago, reviveram as batalhas que cristãos e muçulmanos travaram no Continente Negro.

 

O evento fundamenta-se na lenda que conta o aparecimento de São Tiago como o anônimo soldado que lutou heroicamente contra os mouros. A lenda enfoca vários personagens e passagens interessantes: Desde a conquista das terras africanas, os lusitanos, fervorosos católicos, tentaram obrigar os muçulmanos a se tornarem cristãos e aceitarem a fé em Cristo e o batismo de sua religião. Esse fato provocou a reação dos seguidores de Maomé que declararam guerra aos cristãos, estes liderados na época pelos capitães Atalaia, Jorge e Tiago.

 

“Puxo a espada da bainha, em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Juro pela cruz da minha espada, que so a colocarei na bainha quando pôr fim a essa batalha com a minha vitória”. Com estas palavras, o figurante faz, na tarde do dia 25, na frente da Igreja de São Tiago, o juramento de São Tiago, um dos momentos mais importantes e emocionantes da encenação.

 

Durante dias ocorreram batalhas acirradas com grande vantagem para os lusitanos que se aquartelaram heroicamente, resistindo aos constantes ataques dos mouros. Estes, chefiados pelo Rei Caldeira, vendo que não venceriam seus antagonistas, imaginaram e armaram uma cilada. Esta cilada consistia em pedir o fim da guerra e entregar aos capitães cristãos maravilhosos presentes em forma de iguarias.

 

Os cristãos receberam os presentes com grande surpresa e imediatamente desconfiaram que pudessem estar envenenados. Assim jogaram uma parte da comida na granja dos mouros, onde ficavam os animais, e guardaram a outra objetivando preparar uma contra-ofensiva. Sem nada saber da desconfiança dos cristãos os mouros precipitadamente confiaram na vitória da cilada que armaram e, à noite, deram um baile de máscaras, estendendo o convite aos cristãos que quisessem passar para o seu lado, sem que pudessem ser reconhecidos pelos seus superiores.

 

Os cristãos compareceram mascarados à festa levando a parte da comida que haviam recebido como presente dos mouros e a distribuíram aos seus inimigos que dançavam, bebiam e comiam.

 

Quando amanheceu o dia, algumas autoridades mouras que costumeiramente visitavam a granja depararam com os animais mortos e chegaram a ver os restos da comida oferecida por eles aos cristãos. Imediatamente correram para despertar os soldados, ainda ressacados da festa, e constataram um espetáculo pavoroso: muitos soldados jaziam mortos por haverem comido o presente dos cristãos e entre eles estava o Rei Caldeira, seu Chefe supremo.

 

O filho do Rei Caldeira, denominado Menino Caldeirinha, assumiu o trono. Na manhã do outro dia os cristãos aproveitaram o desespero e a desorganização de seus inimigos para atacá-los.

 

Porém, antes do ataque eles se confessaram e prepararam-se espiritualmente fazendo um juramento. Daí, movidos pela fé, iniciaram uma luta sem precedentes, só amenizada por volta do meio-dia, quando os mouros, aproveitando o descanso dos cristãos, mandaram um vigia - o Bobo Velho - para tentar persuadir seus conterrâneos que haviam se convertido ao Cristianismo a retornarem para seu lado. Além disso, o Bobo Velho poderia espionar o estado em que se encontrava a força dos seus inimigos. Os cristãos perceberam que o Bobo Velho era mais uma trama dos mouros, mas mesmo assim deixaram-no se aproximar do acampamento. Quando ele chegou perto, apedrejaram-no jogando qualquer objeto que encontravam a seu alcance, que desesperado corria assustado.

 

No fim da tarde, antes de iniciar a batalha, os cristãos mandaram o Atalaia espionar os mouros. O Atalaia arrebatou a bandeira do acampamento mouro, mas foi descoberto pelos inimigos que o feriram. Mesmo ferido de morte o Atalaia conseguiu chegar próximo de seu acampamento e lá atirou a bandeira a seus companheiros dando gritos de alerta. Em represália, os mouros decapitaram-no, espetaram sua cabeça em uma vara e colocaram-na junto ao muro do acampamento cristão para que estes ficassem com medo. Ainda com planos para vencer os cristãos, o rei Caldeirinha mandou que seus soldados fizessem uma passeata ao redor do acampamento a fim de raptar as crianças cristãs, que curiosas, foram facilmente apanhadas.

 

Depois do êxito do plano elas foram vendidas e o dinheiro arrecadado serviu para comprar armas e munição. Quando os cristãos souberam do roubo de suas crianças iniciaram uma violenta batalha carregada de grande heroísmo e fé. O rei Caldeirinha ainda propôs a troca do corpo do Atalaia (que haviam levado para seu acampamento) pela bandeira moura em poder dos cristãos. Estes aceitaram a troca mas na hora receberam o corpo e não entregaram a bandeira. A batalha recomeçou com essa atitude e, ao entardecer, os cristãos pediram a Deus que prolongasse o dia a fim de que pudessem vencer tão desesperada luta.

 

Assim, parecia que o dia estava se prolongando e os cristãos foram vencendo as batalhas que se sucediam até que o jovem rei Caldeirinha foi aprisionado, enquanto seus soldados fugiam. Mortos muitos infiéis mouros, os cristãos rejubilaram-se pela vitória agradecendo a Deus e, em passeata, levaram o rei mouro vencido.

 

À noite, depois de tudo, organizaram um baile chamado “Vomonê” ou “Vominê”,, que vem simbolizar a vitória alcançada por eles.

 

 BAILE DE MÁSCARAS

(Fernando Canto)





As máscaras, na Festa de São Tiago, são usadas no Baile de Máscaras, que ocorre no dia 24 de julho, e é um dos aspectos ritualísticos mais importantes, por simbolizar  emoções e cenas de regozinho a vitória que os mouros julgavam ter obtidos sobre os cristãos. O baile ocorre após terem oferecido comida envenenada aos cristãos, visando dar oportunidade aos que quisessem passar para seu lado.

 

É um baile de homens onde todos estão fantasiados, mas às mulheres e crianças é proibida a participação.  Eles dançam no sentido inverso ao do relógio até ao amanhecer. Ao meio dia, um personagem mascarado chamado “Bobo Velho” passa três vezes no terrritório cristão e é apedrejado pela assistência, pois se trata de um espião mouro tentando obter informações.  Na cena do “rapto das criancinhas cristãs”, os “Máscaras”, dezenas de atores populares, surgem fantasiados, assustando e arrebatando olhares de medos das crianças que os assistem.

 

A máscara parece ser uma transferência de energias que tem o sentido de mutação e que transcende o drama. Já o “baile” é uma festa dentro da festa. É uma cena de um drama em que paradoxalmente ocorre a oportunidade de se desregrar (pela ingestão do álcool). Mas é quando se subverte a  realidade constituída, pois a organização social do drama tem seus apelos e sanções: se há noticia de uma outra festa na vila, os “Mascaras” vão até lá e acabam com ela. Fazem respeitar as normas da tradição e tecem críticas à realidade através de um grande boneco mascarado chamado “Judas”, que todo ano muda de nome, conforme o momento histórico e a decisão dos que o confeccionaram.

 

O “Baile de Máscara” é uma forma de representação do potencial subversivo das festas, não só pela crítica, mas pelo dançar constante na direção inversa ao do ponteiro do relógio, tratando-se de um embuste contínuo com o tempo, quando os brincantes giram e vão se espiralando, afastando o tempo linear e vivendo a direção da memória num tempo mítico, onde os acontecimentos heróicos se repetem pelos rituais.

 

Culturalmente as máscaras de Mazagão Velho podem ser vistas como um aspecto místico da festa porque traduzem o tempo, a memória e o ritual que organiza a memória, a história e a sobrevivência da sociedade. Assim a cultura da festa se efetiva porque suas crenças, gestos e valores são oriundos de um processo de criação de homens e mulheres, e que são partilhados por todos, por meio de juízos de valor e símbolos.

 

A utilização da máscara na Festa de São Tiago é de disfarce de aparência e de jogos estratégicos. E para entender melhor esse processo nada como pôr no rosto uma caraça, pois assim cada um assumirá também o papel que subverte e mete medo, e que também diverte, mas, sobretudo, que une e corporifica os valores culturais daquela sociedade. (Publicado no jornal Folha de Mazagão, de 25 de julho de 2011).

 

 

ROUBO DE CRIANÇAS



No dia 25, dia final das encenações, acontece a representação da batalha final entre Mouros e Cristãos. É a data considerada mais importante para organização, o ponto alto da festa. Na encenação, os cristãos usam  indumentárias brancas, enquanto os Mouros vestem uniformes vermelhos.

 

De acordo com o enredo histórico, muitos soldados e oficiais mouros morreram envenenados depois da ação dos cristãos no Baile das Máscaras, entre eles o rei Caldeira. O exército muçulmano estava enfraquecido. O falecido rei caldeira fora substituído pelo filho, o Caldeirinha, sagrado líder dos mouros, apesar de ainda ser criança.

 

A história conta ainda que depois de crescer e começar de fato a comandar os mouros, ordenou que seus soldados roubassem crianças cristãs que curiosas, foram facilmente capturadas. Depois do êxito do plano as crianças foram vendidas e, com o dinheiro os mouros compraram armas e munição., para aumentar seu poder bélico. As crianças que assistem ao espetáculo são apanhadas simbolicamente pelos mascarados, mas tudo como uma brincadeira para não assustá-las, já que os pais ou responsáveis podem “resgatá-las” das mãos dos atores fantasiados com um pedaço de papel, simbolizando a compra que consta na lenda. Assim, sem querer, os pais passam a ser os compradores de seus próprios filhos.

 

 

PASSAGEM DO “BOBO VELHO” E MORTE DE “ATALAIA”

 

O roubo das crianças iniciou uma sangrenta batalha, que foi amenizada ao meio dia. Foi quando os mouros enviaram um espião par ao acampamento dos cristãos: o “Bobo Velho”. No entanto, os cristãos perceberam a presença do intruso e o expulsaram atirando-lhes paus, pedras e outros objetos que encontravam pelo chão.

 

Na encenação mazaganense, um cavalheiro vestido com roupa grossa e capacete cavalga três vezes pelas ruas da cidade e o público pôde atirar bagaço de laranja para reproduzir a apedrejamento dos cristãos. Mas nem sempre essa regra é seguida ao é da letra e há registros de ferimentos causados por pedradas no figurante que faz o papel de Bobo Velho.

 

Ainda, segundo a epopéia, os seguidores de Cristo também enviaram um espião para as trincheiras mouras: o Atalaia. Ele conseguiu arrebatar a bandeira inimiga, mas foi descoberto e atirado pelos soldados inimigos. Mesmo ferido gravemente, o atalaia conseguiu se aproximar do aquartelamento cristão, para onde atirou o estandarte do povo inimigo. Em represália, os mouros o decapitaram e colocaram a cabeça na ponta de uma lança para intimidar os cristãos. O fim do Atalaia também  é encenado na frente da Igreja, com a morte cênica de um figurante.

 

 

APARIÇÃO DE SÃO TIAGO E VITÓRIA CRISTÃ



 

O próximo episódio da tradição é a proposta do rei Caldeirinha de trocar o corpo do Atalaia pela bandeira moura. Os cristãos aceitaram a proposta. Porém, receberam o corpo  de seu soldado, mas não entregaram a bandeira inimiga, como acertado. Os combates recomeçaram com essa atitude, desta vez com mais intensidade. O guerreiro Tiago jurou a Deus que venceria a guerra para que a palavra do Senhor fosse obedecida:

 

“Juro pela cruz da minha espada, que se não vencer essa batalha, serei morto e degolado”, são as palavras do figurante para dar vida ao juramento.

 

Ao anoitecer, o exército de Cristo pediu a Deus para tornar o dia mais longo e, sgundo a lenda, foi atendido. Foi quando São Tiago apareceu e ajudou os cristãos a vencerem sucessivas batalhas, com ajuda daquele que era, até então, um guerreiro desconhecido. As tropas mouras foram perecendo e, por fim, o rei Caldeirinha foi capturado e seus soldados fugiram do front. Era a consolidação da vitória cristã, comemorada com a dança do Vominê pelos soldados aliados.

 

Todos estes fatos são minuciosamente reproduzidos no ultimo dia de festa, marcando fim da representação da Batalha e da parte religiosa da Festa de São Tiago.

 

 

“VOMINÊ”, A DANÇA DA VITÓRIA

 

Adendo forte do folclore da festa, o Vominê é a dança que reproduz a comemoração da supremacia dos cristãos após a consolidação da vitória sobre os mouros. Durante os 12 dias da festividade é dançado em residências de famílias tradicionais de Mazagão Velho por volta de cinco horas da manhã, nas alvoradas festivas sempre acompanhadas por salvas de tiro. À tarde é a vez das crianças participarem  da dança.

 

Como forma de agradecimento, a família anfitriã oferece um lanche, quase sempre biscoito com suco ou café para as crianças e abstêmios e também, em alguns casos, bebida alcoólica para os dançantes adultos. Uma dessas bebidas é a gengibirra, um tipo de batida feita com gengibre – também servida na dança do Marabaixo, em Macapá. Aliás, as semelhanças com a dança tradicional da capital são muitas.

 

No Vominê, a exemplo do Marabaixo, o som da caixa comanda o ritmo da melodia que serve de plano de fundo para letras.  Na verdade, rimas feitas de improviso, uma espécie de repente amazônico, com um refrão que poderia ser descrito como um som sustenido da vogal  “e”. No caso da canção mazaganense, quase há referencia ao dono da casa onde está sendo feito o ritual:

 

“Cadê o dono da casa,

Com ele eu quero falar.

Estou com a garganta seca

Um café e uma cachaça eu quero tomar”

 

Esta, acima, é um dos repentes, que em Macapá chamamos de “Verso ladrão”.

 

As ladainhas, as salvas de tiro, as alvoradas festivas e o Vominê ns residências da vila são os traços mais importantes da Festa de São Tiago, e durante oito dias são símbolos que antecedem o ponto máximo da festa: a encenação teatral da batalha entre mouros e cristãos dividida entre os dias 24 e 25 de julho. (Publicado no jornal Folha de Mazagão, de 25 de julho de 2011).

 

 

MISSA CAMPAL


 

Na manhã de 25 de julho, o que se vê são milhares de pessoas na procissão e na Rua Senador Flexa, que passa na frente da igreja. São os visitantes, a renovar a fé ou para ver a encenação. A procissão acontece por volta das 8h, depois da missa campal. Assim as imagens de São Jorge e São Tiago percorrem  as principais ruas de Mazagão Velho, com os cavalheiros vestidos a caráter e montados em seus cavalos. Nesse momento os fiéis aproveitam para agradecer e/ou fazer suas promessas a São Tiago.

 

A festa é tão concorrida que chega a faltar hospedagem, nada que a hospitalidade mazaganense não resolva.

 

 

Uma festa só para as crianças

 

Depois do dia 25 de julho, quando encerra a Festa de São Tiago feita pelos adultos, é hora das crianças aprenderem a tradição que um dia será responsabilidade delas perpetuarem. Durante os dias 27 e 28 de julho, respectivamente elas também encenam a entrega dos resentes e a batalha entre mouros e cristãos, “ montadas” em cavalinhos enfeitados com papel de seda e feitos de miriti, madeira comum na região. Também há a alvorada festiva e a dança do Vominê, enfim, tudo o que os adultos fazem.

 

A Festa de São Tiago Mirim também tem direito aos  uniformes brancos e vermelhos do smouros e cristãos. E a tradição é levada a sério pelas crianças, mesmo quando há a preocupação dos pais com que elas aprendam desde cedo a respeitar a figura de São Tiago.

 

 

Nota: a pesquisa envolveu informações de Gabriel Penha, Edgar Rodrigues e Fernando Canto. Não consegui a  identificação dos autores das imagens. Se alguém identificar, por favor entre em contato com a gente.

SEBASTIÃO MONT'ALVERNE, 7 ANOS DE SAUDADES

A ARTE MUSICAL DE SEBASTIÃO MONT'ALVERNE




          Edgar Rodrigues


          Ele nos deixou em 25 de julho de 2016,, aos 71 anos. Foram décadas dedicadas à cultura musical, com seu violão mágico, e a mente privilegiada desse virtuose instrumental. 


JOSÉ SEBASTIÃO DE MONT’ALVERNE nasceu em Belém (PA), em 19 de março de 1945, faleceu em Macapá, em 25 de julho de 2016.  Filho do fazendeiro José Jucá de Mont’Alverne e da professora Aracy Miranda de Mont’Alverne. Passou a infância na fazenda Redenção, às margens do Rio Araguari, propriedade de seu pai. Foi alfabetizado por sua mãe, com a qual fez todo o ensino fundamental, antigo primário. Aprendeu a tocar de ouvido com o violão de Dona Aracy, um Di Giorgio que ela guardava no guarda-roupa. Tocava escondido; a mãe chegou a proibi-lo, já que ser tocador nos tempos do então Território Federal do Amapá era “coisa de boêmio” e ela queria que o filho estudasse.

Passou a morar em Macapá a partir dos 12 anos. Mas aos nove, o então menino, que tinha fascínio pela música, já era um violonista autodidata. Aprendeu só, mas ouviu muitos conselhos para aprimorar-se, como o do seu tio, Jurandir, que lhe disse para nunca bater nas cordas e sim tocá-las. Se inscreveu no programa “Clube do Gurí”, da Rádio Difusora de Macapá, e fora incentivado pelos irmãos músicos Nonato e Oleno Leal, além de Walter Banhos. Logo o menino estava solando, tornou-se um exímio violonista e entrou para o Regional da emissora, acompanhando cantores na rádio como Miltinho, Rosimary e Walter Bandeira.

Ainda jovem, tocou em Belém, com o cantor Orlando Pereira e a banda The Kings, que se apresentavam nos clubes do Remo, Paysandu e Tuna Luso Brasileira. Também  foi integrante da banda “Os Cometas” (que tinha dona Célia, esposa e mãe de seus filhos como vocalista), que fez muito sucesso no Amapá. Fã do violonista carioca Baden Powell, Sebastião Mont’Alverne fez duo com muitos instrumentistas famosos, entre eles Sebastião Tapajós, Salomão Habib, Paulo Porto Alegre e Nego Nelson.

           Ele e o músico Aimoré Nunes Batista, eram os únicos afinadores de piano do Amapá. Em 1980, ele fez um curso em São Paulo, que o habilitou para a função. Zeca também foi, em 1962, fotógrafo da campanha do ex-governador do Amapá, Janary Nunes, a deputado. Sebastião foi um dos fundadores do “Bar do Gilson”, que reúne a nata dos músicos de Belém. Professor de violão Clássico por cinco anos na Escola Walkíria Lima, chegou ao cargo de diretor. Também dirigiu a Escola de Música Almir Brenha.

          Em 2001, Sebastião participou do projeto “Pedagogia Sabiá”, que ensinava música nas escolas da rede pública. Caboquinho trabalhou também na Universidade Federal do Amapá (Unifap). A Prefeitura de Macapá (PMM) o homenageou, em 2005, com uma Placa, pela grande contribuição à arte e à cultura do Amapá. O Conselho Estadual de Cultura o honrou, em 2008, com a “Medalha à Cultura”, pela sua dedicação à música.





segunda-feira, 24 de julho de 2023

REINALDO DAMASCENO, PROFESSOR E ENTOMOLOGISTA

 REINALDO DAMASCENO (1916-1976)


  
  Hoje (23) ele completaria 107 anos se estivesse vivo. Pode ser muito tempo de vida para um ser humano normal; mesmo assim, e em se tratando de REINALDO DAMASCENO, ainda seria pouco tempo para compartilhar, com a população da cidade que ele resolveu adotar também como sua, seus saberes sobre as ciências e os aspectos humanos de cada cidadão.


PERFIL

REINALDO MAURICIO GOLBERT DAMACENO, ou simplesmente REINALDO DAMASCENO, professor e entomologista, morou no Amapá desde 1961, Ele nasceu em 24 de julho de 1916 em Igarapé Açu (Pará). Faleceu em Macapá, em 14 de agosto de 1976. Foi casado com Natalícia Menezes Damasceno, com quem teve duas filhas. Graduou-se em Biologia, iniciado em Belém e concluído no Rio de Janeiro, e em Entomologia pela Fundação Rockfeller, em São Paulo. Em 1942 é nomeado para o cargo de Assistente Técnico em Entomologia do Instituto de Patologia Experimental Evandro Chagas, em Belém. Em 1950 é nomeado diretor do então Serviço Nacional da Malária (SUCAM), do Pará..

De 1961 a 1967 foi diretor da SUCAM no ex Território Federal do Amapá, onde continuou seu sonho de pesquisa dos insetos e de educador, lecionando biologia e higiene, de 1968 a 1975, em vários estabelecimentos, entre os quais o Colegio Amapaense e o Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA). Por sua contribuição para com a educação do então Território do Amapá, após sua morte, foi homenageado emprestando seu nome a uma escola da rede estadual de ensino. Paralelamente, ele reunia material cientifico, principalmente sobre malária, filariose e leishmaniose. 

Conhecedor da importância da Amazônia como acerto inigualável da biodiversidade, contatou com o governador Ivanhoé Martins, expondo a ideia de criar um museu de História Natural do Amapá no qual foi integralmente atendido e concretizado, com a construção e inauguração do Museu de História Natural Angelo Moreira da Costa Lima, em 6 de janeiro de 1974, sendo nomeado seu primeiro diretor até 14 de agosto de 1976. Neste período implantou um fecundo trabalho de estruturação técnica do referido museu e deu continuidade à pesquisa entomológica até seu falecimento, no Hospital São Camilo, em Macapá, aos 60 anos.[1]

           

 



[1] IEPA 2006, revista, 2006, Macapá, edição n 59. Pág. 5


sexta-feira, 14 de julho de 2023

PERSONALIDADE: MENDONÇA JÚNIOR (1846-1904)

 MENDONÇA JÚNIOR (1846-1904)


Hoje (14/07/2023) lembramos os 178 anos de nascimento do jornalista e escritor (poesia e crônica) amapaense, MENDONÇA JÚNIOR. Seu nome completo foi Joaquim Francisco de Mendonça Júnior.  Nasceu em Macapá, aos 14 de julho de 1846.. Morreu em Belém, Pará, aos 58 anos, em 4 de agosto de 1904.

 Juntamente com José Antonio de Cerqueira, fundou o primeiro jornal de Macapá (Pinsonia, 1895), que teve duração efêmera (dois anos e meio). Cerqueira financiava a publicação do jornal, editado em Belém. Em 1897 trouxe para Macapá impressora.

            Ele usava o pseudônimo de Múcio Javrot para identificação de seus trabalhos literários. Era amigo do  coronel José Coriolano Jucá, intendente de Macapá, e do governador do Pará, Lauro Sodré. Entrou para a Academia Paraense de Letras, atuou na política como Deputado Estadual pela Assembleia Legislativa do Pará. Criou o grupo de intelectuais de Macapá, do qual faziam parte Alexandre Vaz Tavares, José Antonio de Cerqueira, Raimundo Álvares da Costa, Leão Zagury e o coronel Leopoldo Machado.

            - JORNAL PINSONIA. Macapá; extinto. Lançamento: 15 de novembro de 1895 em Belém, e a tipografia, que era de Belém, foi transferida para Macapá em 14 de julho de 1897 passando o Pinsonia a ser impresso em Macapá.. Hoje só resta uma peça desse maquinário: o cutelo, que está exposto em frente à Biblioteca Pública Estadual.


Não dispomos de imagens de Mendonça Junior. Abaixo, exemplares do PINSONIA, existentes nas Biblioteca Pública Elcy Lacerda, em Macapá.



quarta-feira, 12 de julho de 2023

FLORESTA ESTADUAL DO AMAPÁ, 18 ANOS DE CRIAÇÃO

 


    
Macapá, quarta-feira, 18 de julho de 2923
FLORESTA ESTADUAL DO AMAPÁ, 18 ANOS DE CRIAÇÃO

       Ela foi criada há 18 anos atrás (12/07/2006) pela Lei Estadual nº  1029/2001, abrangendo terras  dos municipios de Amapá,  Calçoene, Ferreira Gomes, Mazagão, Porto Grande, Serra do Navio e Tartarugalzinho, num total de 236.614 km2.

FLOTA AMAPÁ:

Criada em 12 de julho de 2006, pela lei nº 1.028/06, do Governo Estadual (Governador Waldez Góes), abrangendo  áreas dos municípios de Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Mazagão, Oiapoque,  Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Pracuúba, Serra do Navio e Tartarugalzinho, visando o uso sustentável mediante a exploração dos recursos naturais renováveis e não renováveis de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, “de forma socialmente justa e economicamente viável”.

A Floresta Estadual do Amapá compreende uma área descontínua, estimada em 23.694 km2, com as seguintes referências geográficas em maior conectividade: ao Norte com a Reserva Indígena do Uaçá; ao Sul com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do rio Iratapuru e o Assentamento Agroextrativista do Maracá; ao Lesdte com a Br-156 e a Oeste com o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e a Floresta Nacional do Amapá.

Segundo o artigo 3 da lei de criação, a Floresta Estadual do Amapá fica szujeita ao regime de Unidades de Uso Sustentável estabelecido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).





ANTONIO PORTUGUÊS (1929-2018)

 Quarta-feira, 12 de Julho de 2023

ANTONIO PORTUGUÊS (1929-2018)



          Se estivesse vivo, faria, hoje 95 anos. Um dos primeiros sorveteiros de Macapá, ANTONIO PORTUGUÊS (Antonio da Silva Pereira nasceu em Portugal, em 12 de julho de 1929. Morreu em Macapá, aos 89 anos, em 10 de dezembro  de3 2018.


Perfil: 

Mais conhecido como “Antonio Português”, Antonio da Silva Pereira  foi pioneiro no comércio de sorvetes em Macapá. Nasceu em Várzea do Douro, no Estado de Marco Cavanazes, distrito do Porto, nasceu no dia 12 de julho de 1929, e faleceu em Macapá-AP, em 10 de dezembro de 2018. Filho de Torquato da Silva e D. Dulce Rosa Pereira da Silva, comerciantes de frutas.

Veio para o Brasil pelo navio "Hilary" (foto), chegando em Belém, no dia 16 de março de 1953, e dias depois embarcou no iate "Araguary", chegando a Macapá, às 10 horas do dia 29 de março de 1953, seguindo para a localidade de Ipanema, nas ilhas do Pará, onde trabalhou com seus tios da tradicional família Silva.

Dois anos depois, retornou para Macapá em busca de um emprego e recebeu proposta do Dr. Daniel, gerente da ICOMI, e de seu primo Raimundo Silva. Ficou indeciso mas, na conversa que manteve com o Dr. Daniel, foi aconselhado que a família estava em primeiro lugar. Se não desse certo, que o procurasse novamente. Foi trabalhar na Estância Brasil da firma C. Matias & Cia Ltda., situada na Rua Leopoldo Machado, onde permaneceu durante 10 anos como motorista, encarregado e gerente. Em 1965 iniciou a construção de sua casa e, como os recursos eram poucos, foi trabalhar como encarregado de uma embarcação de 40 toneladas, comerciando látex e castanhas oleaginosas durante 19 meses.

Depois dessa experiência, partiu para o seu próprio negócio, instalando em Macapá, em 31 de março de 1968, a Sorveteria Santa Helena, transformando-a em um ponto de encontro da sociedade. Está no negócio desde o ano de 1967.

Casado com D. Maria Rosa Matias Pereira no dia 6 de setembro de 1958, na igreja da vila Lusitana, no Município de Afuá a qual lhe deu os filhos Paulo Alberto, José Torquato, Fernando Antônio, Dulce Rosa, Carmelina, Márcia Helena e Arlindo César e Carlos Augusto (falecidos). É católico praticante, fez o Cursilho de Cristandade, foi coordenador do setor dos Cursilhos da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Como bom português, é torcedor do Vasco.

Aposentado em novembro de 1995, seus filhos continuam a manter a principal atividade de Antonio Português, que é a Sorveteria Santa Helena.




sexta-feira, 30 de junho de 2023

13 ANOS DA 1ª FORMATIRA DE UNIVERSITÁRIIOS DA UEAP


Nesta sexta-feira, 30 de junho, comemoramos os 132 anos (2011) da primeira formatura de alunos da Universidade do Estado do Amapá - UEAP.


  Esta foi a primeira outorga de grau concedida pelo Estado, em meio a novas perspectivas de consolidação do ensino superior público estadual..


          


quarta-feira, 28 de junho de 2023

80 anos da 1ª pesquisa de Plasmodium em Macapá

           28 de junho de 1944. 80 anos de realização, em Macapá da primeira pesquisa de Plamodium, para diagnóstico da MALÁRIA.  O fato foi noticia do jornal AMAPÁ, de 30 de junho de 1944. Deus positivo .



sexta-feira, 23 de junho de 2023

PONTE BINACIONAL: 22 ANOS DE CONCLUJSÃO

OIAPOQUE (BRASIL) e GUIANA FRANCESA (FRANÇA)

 PONTE BINACIONAL: 22 ANOS DE INAUGURAÇÃO


Concluída em 2011, ela foi inaugurada em 23 de junho do mesmo ano, ligando o Estado do Amapá através do Oiapoque, e a França (Guiana Francesa). Com a ponte, o Amapá deixa de ser uma ilha isolada, e mesmo ainda não interligada ao resto do Brasil, o amapaense pode utilizá-la para ir até os países da região do Caribe, Caiena (G. Francesa), Georgetown (Republica Guiana) e Paramaribo (Suriname).




quinta-feira, 22 de junho de 2023

ESCOLA DE SAMBA UNIDOS DO BURITIZAL




UNIDOS DO BURITIAL, 33  ANOS DE  FOLIA

    Hoje, 22 de junho, comemoramos 0s 33 anos de fundação da escola de Samba Unidos do Buritizal. Ela foi fundada, , como Escola de Samba, em Macapá, em 22 de junho de 1990, por um grupo de pessoas do bairro, entre as quais: Cila França Trindade, Nair Rodrigues França, Graça Monteiro, Ricardo Mesquita, Arcilene França Trindade, Filomeno Araújo, Almir Maciel e Reginaldo França.

     As cores oficiais da instituição são azul, branco e amarelo dourado. Tem como símbolo principal a palmeira buritizeiro, de onde vem o nome do bairro: Buritizal. 

     O primeiro presidente da escola foi  o carnavalesco Reginaldo Costa França, que conduziu administrativamente a agremiação por apenas 8 meses assumindo, após esse período, uma junta governativa que realizou a primeira eleição da escola que teve como vencedora, para um mandato de  4 anos, a professora Cila França Trindade, uma das fundadoras.

            Desde a sua fundação, a escola jamais deixou de participar de um desfile oficial. Em 1997, primeiro ano da era Sambódromo, a escola conquistou o titulo do segundo grupo, com o enredo “Lendas e Mitos na Terra de Santa Ana”.




quarta-feira, 21 de junho de 2023

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS - 70 ANOS CONSTRUINDO SABERES

 



                A Academia Amapaense de Letras, que completa hoje 70 anos, é uma Instituição fundada em Macapá, em 21 de junho de 1953, por cidadãos  que chegaram ao Amapá após a implantação do então Território Federal (1943), que se reuniram, estimulados  pelo governador Janary Gentil Nunes. Foram  12 membros, os fundadores, sendo sete efetivos e cinco honorários.

 

            DISCURSO DE JANARY NUNES

             Senhor presidente, senhores membros, excelentíssimas senhoras, senhores...  

            O Amapá é uma ideia em marcha para o porvir, é um sonho que se realiza a cada instante. Debruçado entre o Oiapoque e o Jarí no maciço guiano, cuja idade é da formação da terra, contempla na direção do nascente a imensidão do oceano e ao sul do gigantesco Amazonas, que liga os Andes ao mar vislumbrando seu destino universal. A história da incorporação de seu solo à pátria, é o mais inteligente e o ro escrito pela diplomacia luso-brasileira na fixação das nossas fronteiras.

            O Amapá merece assim uma academia, cujos membros sejam os garimpeiros de suas pedras preciosas ainda por descobrir, nesse cascalho rico que é o seu passado, nossa mina que é a sua natureza. Surpreende-nos entretanto, senhores acadêmicos, a honra demasiada que nos concedem, escolhendo-nos membros honorários de vossa sociedade. Não encontramos frases apropriadas para exprimir nossa gratidão a esse gesto que nos cativa eternamente.

            Desejamos que a Academia Amapaense de Letras, constituída de homens de cultura, acompanhe, participe e oriente a caminhada que o vosso povo vai trilhar. Os acadêmicos têm sido alvo de críticas nem sempre justas e serenas. Acusam-nos de esterilidade, de limitação à rebeldia criadora, de cenáculo vaidoso onde se esfria a chama sagrada da beleza.

            Mas tantas já foram as graças de Deus derramadas sobre esta terra, que as nossas esperanças se animam e dão-nos a certeza de que a Academia Amapaense de Letras formará um ambiente propício aos altos remígios do Espírito. O Amapá é um convite irresistível aos que possuem sensibilidade e aptidão para traduzir em palavras o que sentem.

            Antes da criação do Território, Aurélio Buarque escreveu interessante ensaio intitulado AMAPÁ. Alfredo Távora Gonçalves levou-nos o VERDADEIRO ELDORADO. Mário da Veiga Cabral nas edições de sua COROGRAFIA BRASILEIRA, divulgou episódios da formação da fronteira setentrional. Arthur Vianna fez a HISTÓRIAS DAS FORTIFICAÇÕES CONSTRUÍDAS PELOS PORTUGUESES. Palma Muniz, através dos ANAIS DA BIBLIOTECA E ARQUIVO PÚBLICO DO PARÁ, deu-nos a HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DE MACAPÁ, MAZAGÃO E MONTENEGRO. Jorge Hurley mostrou a participação de Macapá e Mazagão na Cabanagem. Emílio Goeldi situou as cerâmicas do Cunani e do Maracá. O general Rondon imprimiu RODOVIA MACAPÁ/CLEVELÃNDIA. Alexandre Vaz Tavares e Acelino de Leão cantaram as belezas de seu torrão natal. Pedro de Moura e Josalfredo Borges divulgaram elementos básicos de nossa geologia. Dois cientistas franceses publicaram volumosos ENSAIOS SOBRE A GUIANA BRASILEIRA. Henry Coudreau com LA FRANCE EQUINOCIALE e Brousseau com LES RICHESSES DE LA GUYANE FRANÇAISE.

            Macapá teve um jornal impresso: PINSONIA. Eis a obra em resumo de algumas famosas personalidades amapaenses ou que passaram por aqui deixando sua marca intelectual.

            Aguardam divulgação os estudos de Álvaro da Cunha, Alceu Magnani e Lucio de Castro Soares. Ainda não foram descritas como merecem, no seu heroísmo anônimo a existência do balateiro, esses caboclos indômitos que munidos de um pouco de sal, jabá e farinha, embrenham-se na mata, somem e desaparecem na floresta para voltarem meses após, maltrapilhos e doentes.  Eis senhores acadêmicos, alguns temas que pedem livros e mais livros. A cultura de um povo só se conquista acumulando experiências, somando conhecimentos, multiplicando pesquisas. Alcançaremos a meta que aspiramos.

Pioneiros da segunda metade do século XX, lutemos para fazer do Amapá, desta terra generosa e deste povo amigo, um conjunto amigo e feliz, onde não falte a crença que constrói nem a beleza e nem o amor.

Transcrito do jornal “O Amapá”, de 6 de julho de 1953.

 

MEMBROS FUNDADORES EFETIVOS 

Amilcar da Silva Pereira (tesoureiro); Benedito Alves Cardoso (presidente), Célio Rodrigues Cal;Gabriel de Almeida Café (secretário);  Heitor de Azevedo Picanço (bibliotecário); Jarbas Amorim Cavalcante; João Elias Nazaré Cardoso; Lício Mariolino Solheiro; Nelson Geraldo Safiatti; Mário Medeiros Barbosa; Oton Acciolli Ramos; Uriel Salles de Araújo. 

MEMBROS FUNDADORES HONORÁRIOS 

            Altino Pimenta; Coaracy Gentil Monteiro Nunes; Diniz Henrique Botelho; Hildemar Pimentel Maia; Janary Gentil Nunes. 

            Foi aprovado um Estatuto  e os nomes dos Patronos das cadeiras que, inicialmente, foram:

                                     PATRONOS 

            Acylino de Leão Rodrigues; Alexandre Vaz Tavares; Antonio Gonçalves Tocantins; Benedito Cardoso; Coaracy Gentil Monteiro Nunes; Cora de Carvalho; Desidério Antônio Coelho; Deusolina Salles Farias; Domingos Maltez; Emílio Goeldi; Francisco Torquato de Araújo; Francisco Xavier da Veiga Cabral; Francisco Xavier de Mendonça Furtado; Gabriel de Almeida Café; Georgenor Franco; Hildemar Pimentel Maia; Janary Gentil Nunes; Jarbas Amorim Cavalcante; João Álvares de Azevedo Costa; João Franklyn Távora; Joaquim Caetano da Silva; Joaquim Francisco de Mendonça Júnior; Joaquim Gomes Diniz; Jovino Albuquerque Dinoá; Júlio Maria de Lombaerde; Lício Mariolino Solheiro; Manoel Valente Flexa; Mateus Valente do Couto; Oscar Santos; Oton Acioli Ramos; Paul Ledoux; Paulo Eleutério Filho; Pauxy Gentil Nunes; Raimundo Álvares da Costa; Reinaldo Maurício Golbert Damasceno; Rocque de Souza Pennafort; Uriel Salles de Araújo; Vicente Portugal; Waldemiro Oliveira Gomes e Walkiria Lima. 

            Do período de fundação até o final de 1980, a entidade ficou  desativada por muitos anos, por vários motivos como: viagens de seus  integrantes, morte de alguns, e o pouco número  de autores em atividades, o que só começou  a mudar  nos anos 1990. 

            Em 31 de agosto de 1988, um grupo de  intelectuais reuniu-se visando reativar a Academia, com a entrada de novos integrantes: Antonio Cabral de Castro; Dagoberto Damassceno Costa; Estácio Vidal Picanço; Fernando Pimentel Canto; Georgenor de Souza Franco; Manoel Bispo Correa; Mário Quirino da Silva, e Nilson Montoril de Araújo. Dessa reunião, ficou composta uma diretoria provisória, cujos integrantes foram:

            Presidente: Nilson Montoril de Araújo; Vice-presidente: Dom Luiz Soares Vieira; Secretária: Aracy Miranda de Mont’Alverne; Tesoureiro: Antonio Carlos da Silva Farias; Diretor de Biblioteca e Arquivos: Dagoberto Damasceno Costa; Comissão de Contas: Antonio Cabral de Castro, Antonio Munhoz Lopes e Paulo Fernando Batista Guerra. Essa diretoria teve seu registro no Cartório Jucá, no livro A-5, Fls 160, nº 0558, em 23 de novembro de 1989, juntamente com o Estatuto vigente.

            Apesar do esforço do professor Nilson Montoril, a Academia continuou praticamente sem atividades pelos mesmos motivos da formação original. 

            Em 2017 alguns escritores incentivaram Nilson Montoril, e mais uma vez a Academia Amapaense de Letras teve seus membros remanescentes de 1989 e novos membros para  formar uma nova Diretoria, e mais uma vez concretizar os desafios de uma entidade literária atuante e com visibilidade no cenário cultural do Estado do Amapá. Essa diretoria ficou assim constituída:

            Presidente: Nilson Montoril de Araújo; Vice-Presidente: Manoel Bispo Correa; Secretário: Fernando Pimentel Canto; Tesoureiro: Antonio Carlos Farias; Diretor de Biblioteca e Arquivo: Luiz Alberto  Costa Guedes.

            Foram realizadas várias reuniões e lançado um edital, e 12 novos membros foram eleitos e posteriormente empossados, possibilitando a realização de novas  reuniões e até eventos de comemoração do aniversário da Academia, passando as reuniões a acontecerem na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda. A diretoria e  os novos integrantes, liderados pelo presidente Nilson Montoril, traçaram vários planos  de ação para dar continuidade aos trabalhos de 2022. Um novo Edital possibilitou, pela primeira vez, que a  Academia completasse as suas quarenta cadeiras e planejasse  voos mais altos pela cultura do Amapá.

 

2023: DIRETORIA ATUAL:

Presidente:  Fernando Canto

Vice-Presidente: Paulo Guerra;

Secretário: Paulo Tarso Barros

Tesoureiro: Benedito Rostan Martins


IMORTAIS DA ACADEMIA – POR CADEIRA 

CADEIRA

MEMBRO / PATRONO (A)

1

Gilberto de Paula Pinheiro - Acylino de Leão Rodrigues

2

Adaury Salles Farias - Raimundo Álvares da Costa

3

Ricardo Augusto dos Santos Pontes – Benedito Alves Cardoso

4

Fernando Pimentel Canto - Coaracy Gentil Monteiro Nunes

5

Maria Ângela da Costa Nunes – Cora Rolla de Carvalho

6

Tiago de Oliveira  Quingosta de Souz – Desidério Antonio Coelho

7

Benedito Rostan Martins - Deusolina Salles Farias

8

Luiz Soares Vieira – Cônego Domingos Maltez

9

Antônio Cabral de Castro. - Emílio Goeldi

10

(Vaga) + Nilson Montoril de Araújo – Francisco Torquato de Araújo

11

Ivan Carlo Andrade de Oliveira - Gabriel de Almeida Café

12

Georgenor de Souza Franco Filho -  Georgenor de Souza Franco

13

Jackson Correa da Silva - Antonio Manuel Gonçalves Tocantins

14

Piedade Lino Videira – Hildemar Pimentel Maia

15

Fernando Rodrigues dos Santos - Janary Gentil Nunes

16

Paulo Fernandes Batista Guerra- Jarbas Amorim Cavalcante

17

Jadson Luiz Rabelo Porto - Joaquim Caetano da Silva

18

João Wilson Savino Carvalho – Joaquim Gomes Diniz

19

Maria José Araújo Souza – João Álvares de Azevedo Costa

20

César Bernardo de Souza - João Franklyn Távora

21

João do Nascimento Barbosa – Jovino Albuquerque Dinoá

22

Saulo Carneiro Ribeiro – Lício Mariolino Solheiro

23

Luiz Alberto Costa Guedes – Manuel Valente Flexa

24

Ruben Bemerguy – Francisco Xavier de Mendonça Furtado

25

Alcinéa Maria Cavalcante Costa - Joaquim Francisco de Mendonça Jr

26

Edgar de Paula Rodrigues - Oscar Santos (Mestre Oscar)

27

Oton Miranda de Alencar – Oton Accioly Ramos

28

Cléo Farias de Araújo -  Padre Júlio Maria de Lombaerd

29

Manoel Azevedo de Souza – Paulo Eleutério Cavalcante Albuquerque

30

Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza – Pauxy Gentil Nunes

31

Paulo Tarso da Silva Barros – Paul Ledoux

32

Antônio Carlos da Silva Farias - Reinaldo Maurício Golbert Damasceno

33

Francisco Osvaldo Simões Filho - Rocque de Souza Pennafort

34

Mário Sérgio Soares Rabelo – Uriel Salles de Araújo

35

Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins - Matheus Valente do Couto

36

Manoel Bispo Correa – Alexandre Vaz Tavares

37

Raquel Tourinho Braga – Francisco Xavier da Veiga Cabral

38

José Queiróz Pastana – Vicente Portugal Júnior

39

José Alberto Tostes – Waldemiro Oliveira Gomes

40

Carlos Nilson da Costa - Walkiria Ferreira Lima

 

IMORTAIS DA ACADEMIA – ORDEM ALFABÉTICA

 

CADEIRA

MEMBRO / PATRONO (A)

2

Adaury Salles Farias – Raimundo Álvares da Costa

25

Alcinéa Maria Cavalcante Costa – Joaquim Francisco de Mendonça Jr.

9

Antonio Cabral de Castro – Emílio Goeldi

32

Antonio Carlos da Silva Farias–Reinaldo Maurício Golbert Damasceno

7

Benedito Rostan Martins – Deusolina Salles Farias

40

Carlos Nilson da Costa – Walkiria Ferreira Lima

20

César Bernardo de Souza – João Franklyn Távora

28

Cléo Farias de Araújo – Padre Júlio Maria de Lombaerd

35

Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins - Matheus Valente do Couto

26

Edgar Paula Rodrigues – Oscar Santos (Mestre Oscar)

4

Fernando Pimentel Canto – Coaracy Gentil Monteiro Nunes

15

Fernando Rodrigues dos Santos – Janary Gentil Nunes

33

Francisco Osvaldo Simões Filho – Roque de Souza Pennafort

12

Georgenor de Souza Franco Filho – Georgeor de Souza Franco

1

Gilberto de Paula Pinheiro – Acylino de Leão Rodrigues

11

Ivan Carlo Andrade de Oliveira – Gabriel de Almeida Café

13

Jackson Corrêa da Silva – Antonio Manoel Gonçalves Tocantins

17

Jadson Luiz Ribeiro Porto – Joaquim Caetano da Silva

21

João do Nascimento Barbosa – Jovino Albuquerque Dinoá

18

João Wilson Savino Carvalho – Joaquim Gomes Diniz

39

José Alberto Tostes – Waldemiro Oliveira Gomes

38

José Queiróz Pastana – Vicente Portugal Júnior

23

Luiz Alberto Costa Guedes – Manuel Valente Flexa

8

Luiz Soares Vieira (Dom) – Cônego Domingos Maltez

29

Manoel Azevedo de Souza–Paulo Eleuterio Cavalcante de Albuquerque

36

Manoel Bispo Correa – Alexandre Vaz Tavares

5

Maria Angela da Costa Nunes – Cora Rola de Carvalho

19

Maria José Araújo Souza – João Álvares de Azevedo Costa

34

Mauro Sérgio Soares Rabelo – Uriel Sales de Araújo

10

(VAGA) + Nilson Montoril de Araújo – Francisco Torquato de Araújo

27

Oton Miranda de Alencar – Oton Accioly Ramos

16

Paulo Fernando Batista Guerra – Jarbas Amorim Cavalcante

30

Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza – Pauxy Gentil Nunes

31

Paulo Tarso Silva Barros – Paul Ledoux

14

Piedade Lino Videira – Hildemar Pimentel Maia

37

Raquel Tourinho Braga – Francisco Xavier da Veiga Cabral

3

Ricardo Augusto dos Santos Pontes – Benedito Alves Cardoso

24

Ruben Bemerguy – Francisco Xavier de Mendonça Furtado

22

Saulo Carneiro Ribeiro – Lício Mariolino Solheiro

6

Tiago de Oliveira Quingosta de Souza – Desidério Antonio Coelho