A Academia
Amapaense de Letras, que completa hoje 70 anos, é uma Instituição fundada em
Macapá, em 21 de junho de 1953, por cidadãos
que chegaram ao Amapá após a implantação do então Território Federal
(1943), que se reuniram, estimulados
pelo governador Janary Gentil Nunes. Foram 12 membros, os fundadores, sendo sete
efetivos e cinco honorários.
DISCURSO DE JANARY NUNES
Senhor presidente, senhores membros, excelentíssimas senhoras, senhores...
O Amapá é uma ideia em marcha para o
porvir, é um sonho que se realiza a cada instante. Debruçado entre o Oiapoque e
o Jarí no maciço guiano, cuja idade é da formação da terra, contempla na
direção do nascente a imensidão do oceano e ao sul do gigantesco Amazonas, que
liga os Andes ao mar vislumbrando seu destino universal. A história da
incorporação de seu solo à pátria, é o mais inteligente e o ro escrito pela
diplomacia luso-brasileira na fixação das nossas fronteiras.
O Amapá merece assim uma academia,
cujos membros sejam os garimpeiros de suas pedras preciosas ainda por
descobrir, nesse cascalho rico que é o seu passado, nossa mina que é a sua
natureza. Surpreende-nos entretanto, senhores acadêmicos, a honra demasiada que
nos concedem, escolhendo-nos membros honorários de vossa sociedade. Não
encontramos frases apropriadas para exprimir nossa gratidão a esse gesto que
nos cativa eternamente.
Desejamos que a Academia Amapaense
de Letras, constituída de homens de cultura, acompanhe, participe e oriente a
caminhada que o vosso povo vai trilhar. Os acadêmicos têm sido alvo de críticas
nem sempre justas e serenas. Acusam-nos de esterilidade, de limitação à
rebeldia criadora, de cenáculo vaidoso onde se esfria a chama sagrada da
beleza.
Mas tantas já foram as graças de
Deus derramadas sobre esta terra, que as nossas esperanças se animam e dão-nos
a certeza de que a Academia Amapaense de Letras formará um ambiente propício
aos altos remígios do Espírito. O Amapá é um convite irresistível aos que
possuem sensibilidade e aptidão para traduzir em palavras o que sentem.
Antes da criação do Território,
Aurélio Buarque escreveu interessante ensaio intitulado AMAPÁ. Alfredo Távora
Gonçalves levou-nos o VERDADEIRO ELDORADO. Mário da Veiga Cabral nas edições de
sua COROGRAFIA BRASILEIRA, divulgou episódios da formação da fronteira
setentrional. Arthur Vianna fez a HISTÓRIAS DAS FORTIFICAÇÕES CONSTRUÍDAS PELOS
PORTUGUESES. Palma Muniz, através dos ANAIS DA BIBLIOTECA E ARQUIVO PÚBLICO DO
PARÁ, deu-nos a HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DE MACAPÁ, MAZAGÃO E MONTENEGRO. Jorge
Hurley mostrou a participação de Macapá e Mazagão na Cabanagem. Emílio Goeldi
situou as cerâmicas do Cunani e do Maracá. O general Rondon imprimiu RODOVIA
MACAPÁ/CLEVELÃNDIA. Alexandre Vaz Tavares e Acelino de Leão cantaram as belezas
de seu torrão natal. Pedro de Moura e Josalfredo Borges divulgaram elementos
básicos de nossa geologia. Dois cientistas franceses publicaram volumosos
ENSAIOS SOBRE A GUIANA BRASILEIRA. Henry Coudreau com LA FRANCE EQUINOCIALE e
Brousseau com LES RICHESSES DE LA GUYANE FRANÇAISE.
Macapá teve um jornal impresso:
PINSONIA. Eis a obra em resumo de algumas famosas personalidades amapaenses ou
que passaram por aqui deixando sua marca intelectual.
Aguardam divulgação os estudos de
Álvaro da Cunha, Alceu Magnani e Lucio de Castro Soares. Ainda não foram
descritas como merecem, no seu heroísmo anônimo a existência do balateiro,
esses caboclos indômitos que munidos de um pouco de sal, jabá e farinha,
embrenham-se na mata, somem e desaparecem na floresta para voltarem meses após,
maltrapilhos e doentes. Eis senhores
acadêmicos, alguns temas que pedem livros e mais livros. A cultura de um povo
só se conquista acumulando experiências, somando conhecimentos, multiplicando
pesquisas. Alcançaremos a meta que aspiramos.
Pioneiros
da segunda metade do século XX, lutemos para fazer do Amapá, desta terra
generosa e deste povo amigo, um conjunto amigo e feliz, onde não falte a crença
que constrói nem a beleza e nem o amor.
Transcrito do jornal “O Amapá”, de 6 de julho
de 1953.
MEMBROS FUNDADORES EFETIVOS
Amilcar da Silva Pereira (tesoureiro); Benedito Alves Cardoso (presidente), Célio Rodrigues Cal;Gabriel de Almeida Café (secretário); Heitor de Azevedo Picanço (bibliotecário); Jarbas Amorim Cavalcante; João Elias Nazaré Cardoso; Lício Mariolino Solheiro; Nelson Geraldo Safiatti; Mário Medeiros Barbosa; Oton Acciolli Ramos; Uriel Salles de Araújo.
MEMBROS FUNDADORES HONORÁRIOS
Altino Pimenta; Coaracy Gentil Monteiro Nunes; Diniz Henrique Botelho; Hildemar Pimentel Maia; Janary Gentil Nunes.
Foi aprovado um Estatuto e os nomes dos Patronos das cadeiras que,
inicialmente, foram:
PATRONOS
Acylino de Leão Rodrigues; Alexandre Vaz Tavares; Antonio Gonçalves Tocantins; Benedito Cardoso; Coaracy Gentil Monteiro Nunes; Cora de Carvalho; Desidério Antônio Coelho; Deusolina Salles Farias; Domingos Maltez; Emílio Goeldi; Francisco Torquato de Araújo; Francisco Xavier da Veiga Cabral; Francisco Xavier de Mendonça Furtado; Gabriel de Almeida Café; Georgenor Franco; Hildemar Pimentel Maia; Janary Gentil Nunes; Jarbas Amorim Cavalcante; João Álvares de Azevedo Costa; João Franklyn Távora; Joaquim Caetano da Silva; Joaquim Francisco de Mendonça Júnior; Joaquim Gomes Diniz; Jovino Albuquerque Dinoá; Júlio Maria de Lombaerde; Lício Mariolino Solheiro; Manoel Valente Flexa; Mateus Valente do Couto; Oscar Santos; Oton Acioli Ramos; Paul Ledoux; Paulo Eleutério Filho; Pauxy Gentil Nunes; Raimundo Álvares da Costa; Reinaldo Maurício Golbert Damasceno; Rocque de Souza Pennafort; Uriel Salles de Araújo; Vicente Portugal; Waldemiro Oliveira Gomes e Walkiria Lima.
Do período de fundação até o final de 1980, a entidade ficou desativada por muitos anos, por vários motivos como: viagens de seus integrantes, morte de alguns, e o pouco número de autores em atividades, o que só começou a mudar nos anos 1990.
Em 31 de agosto de 1988, um grupo
de intelectuais reuniu-se visando
reativar a Academia, com a entrada de novos integrantes: Antonio Cabral de
Castro; Dagoberto Damassceno Costa; Estácio Vidal Picanço; Fernando Pimentel
Canto; Georgenor de Souza Franco; Manoel Bispo Correa; Mário Quirino da Silva,
e Nilson Montoril de Araújo. Dessa reunião, ficou composta uma diretoria
provisória, cujos integrantes foram:
Presidente: Nilson Montoril de
Araújo; Vice-presidente: Dom Luiz Soares Vieira; Secretária: Aracy Miranda de
Mont’Alverne; Tesoureiro: Antonio Carlos da Silva Farias; Diretor de Biblioteca
e Arquivos: Dagoberto Damasceno Costa; Comissão de Contas: Antonio Cabral de
Castro, Antonio Munhoz Lopes e Paulo Fernando Batista Guerra. Essa diretoria
teve seu registro no Cartório Jucá, no livro A-5, Fls 160, nº 0558, em 23 de
novembro de 1989, juntamente com o Estatuto vigente.
Apesar do esforço do professor Nilson Montoril, a Academia continuou praticamente sem atividades pelos mesmos motivos da formação original.
Em 2017 alguns escritores
incentivaram Nilson Montoril, e mais uma vez a Academia Amapaense de Letras
teve seus membros remanescentes de 1989 e novos membros para formar uma nova Diretoria, e mais uma vez
concretizar os desafios de uma entidade literária atuante e com visibilidade no
cenário cultural do Estado do Amapá. Essa diretoria ficou assim constituída:
Presidente: Nilson Montoril de
Araújo; Vice-Presidente: Manoel Bispo Correa; Secretário: Fernando Pimentel
Canto; Tesoureiro: Antonio Carlos Farias; Diretor de Biblioteca e Arquivo: Luiz
Alberto Costa Guedes.
Foram realizadas várias reuniões e
lançado um edital, e 12 novos membros foram eleitos e posteriormente
empossados, possibilitando a realização de novas reuniões e até eventos de comemoração do
aniversário da Academia, passando as reuniões a acontecerem na Biblioteca
Pública Estadual Elcy Lacerda. A diretoria e
os novos integrantes, liderados pelo presidente Nilson Montoril, traçaram
vários planos de ação para dar continuidade
aos trabalhos de 2022. Um novo Edital possibilitou, pela primeira vez, que
a Academia completasse as suas quarenta
cadeiras e planejasse voos mais altos
pela cultura do Amapá.
2023:
DIRETORIA ATUAL:
Presidente:
Fernando Canto
Vice-Presidente: Paulo Guerra;
Secretário: Paulo Tarso Barros
Tesoureiro: Benedito Rostan Martins
IMORTAIS DA ACADEMIA – POR CADEIRA
|
CADEIRA |
MEMBRO
/ PATRONO (A) |
|
1 |
Gilberto de Paula Pinheiro - Acylino
de Leão Rodrigues |
|
2 |
Adaury Salles Farias - Raimundo
Álvares da Costa |
|
3 |
Ricardo Augusto dos Santos Pontes – Benedito
Alves Cardoso |
|
4 |
Fernando Pimentel Canto - Coaracy
Gentil Monteiro Nunes |
|
5 |
Maria Ângela da Costa Nunes – Cora
Rolla de Carvalho |
|
6 |
Tiago de Oliveira
Quingosta de Souz – Desidério Antonio Coelho |
|
7 |
Benedito Rostan Martins - Deusolina
Salles Farias |
|
8 |
Luiz Soares Vieira – Cônego Domingos Maltez |
|
9 |
Antônio Cabral de Castro. - Emílio
Goeldi |
|
10 |
(Vaga) + Nilson Montoril de Araújo – Francisco
Torquato de Araújo |
|
11 |
Ivan Carlo Andrade de Oliveira - Gabriel
de Almeida Café |
|
12 |
Georgenor de Souza Franco Filho - Georgenor de Souza Franco |
|
13 |
Jackson Correa da Silva - Antonio
Manuel Gonçalves Tocantins |
|
14 |
Piedade Lino Videira – Hildemar
Pimentel Maia |
|
15 |
Fernando Rodrigues dos Santos - Janary
Gentil Nunes |
|
16 |
Paulo Fernandes Batista Guerra- Jarbas
Amorim Cavalcante |
|
17 |
Jadson Luiz Rabelo Porto - Joaquim
Caetano da Silva |
|
18 |
João Wilson Savino Carvalho – Joaquim
Gomes Diniz |
|
19 |
Maria José Araújo Souza – João
Álvares de Azevedo Costa |
|
20 |
César Bernardo de Souza - João
Franklyn Távora |
|
21 |
João do Nascimento Barbosa – Jovino
Albuquerque Dinoá |
|
22 |
Saulo Carneiro Ribeiro – Lício
Mariolino Solheiro |
|
23 |
Luiz Alberto Costa Guedes – Manuel
Valente Flexa |
|
24 |
Ruben Bemerguy – Francisco Xavier de
Mendonça Furtado |
|
25 |
Alcinéa Maria Cavalcante Costa - Joaquim
Francisco de Mendonça Jr |
|
26 |
Edgar de Paula Rodrigues - Oscar
Santos (Mestre Oscar) |
|
27 |
Oton Miranda de Alencar – Oton
Accioly Ramos |
|
28 |
Cléo Farias de Araújo -
Padre Júlio Maria de Lombaerd |
|
29 |
Manoel Azevedo de Souza – Paulo
Eleutério Cavalcante Albuquerque |
|
30 |
Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza – Pauxy
Gentil Nunes |
|
31 |
Paulo Tarso da Silva Barros – Paul
Ledoux |
|
32 |
Antônio Carlos da Silva Farias - Reinaldo
Maurício Golbert Damasceno |
|
33 |
Francisco Osvaldo Simões Filho - Rocque
de Souza Pennafort |
|
34 |
Mário Sérgio Soares Rabelo – Uriel
Salles de Araújo |
|
35 |
Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins - Matheus
Valente do Couto |
|
36 |
Manoel Bispo Correa – Alexandre
Vaz Tavares |
|
37 |
Raquel Tourinho Braga – Francisco
Xavier da Veiga Cabral |
|
38 |
José Queiróz Pastana – Vicente
Portugal Júnior |
|
39 |
José Alberto Tostes – Waldemiro
Oliveira Gomes |
|
40 |
Carlos Nilson da Costa - Walkiria
Ferreira Lima |
IMORTAIS
DA ACADEMIA – ORDEM ALFABÉTICA
|
CADEIRA |
MEMBRO
/ PATRONO (A) |
|
2 |
Adaury Salles Farias – Raimundo
Álvares da Costa |
|
25 |
Alcinéa Maria Cavalcante Costa – Joaquim
Francisco de Mendonça Jr. |
|
9 |
Antonio Cabral de Castro – Emílio
Goeldi |
|
32 |
Antonio Carlos da Silva Farias–Reinaldo
Maurício Golbert Damasceno |
|
7 |
Benedito Rostan Martins – Deusolina
Salles Farias |
|
40 |
Carlos Nilson da Costa – Walkiria
Ferreira Lima |
|
20 |
César Bernardo de Souza – João
Franklyn Távora |
|
28 |
Cléo Farias de Araújo – Padre
Júlio Maria de Lombaerd |
|
35 |
Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins - Matheus
Valente do Couto |
|
26 |
Edgar Paula Rodrigues – Oscar
Santos (Mestre Oscar) |
|
4 |
Fernando Pimentel Canto – Coaracy
Gentil Monteiro Nunes |
|
15 |
Fernando Rodrigues dos Santos – Janary
Gentil Nunes |
|
33 |
Francisco Osvaldo Simões Filho – Roque
de Souza Pennafort |
|
12 |
Georgenor de Souza Franco Filho – Georgeor
de Souza Franco |
|
1 |
Gilberto de Paula Pinheiro – Acylino
de Leão Rodrigues |
|
11 |
Ivan Carlo Andrade de Oliveira – Gabriel
de Almeida Café |
|
13 |
Jackson Corrêa da Silva – Antonio
Manoel Gonçalves Tocantins |
|
17 |
Jadson Luiz Ribeiro Porto – Joaquim
Caetano da Silva |
|
21 |
João do Nascimento Barbosa – Jovino
Albuquerque Dinoá |
|
18 |
João Wilson Savino Carvalho – Joaquim
Gomes Diniz |
|
39 |
José Alberto Tostes – Waldemiro
Oliveira Gomes |
|
38 |
José Queiróz Pastana – Vicente
Portugal Júnior |
|
23 |
Luiz Alberto Costa Guedes – Manuel
Valente Flexa |
|
8 |
Luiz Soares Vieira (Dom) –
Cônego Domingos Maltez |
|
29 |
Manoel Azevedo de Souza–Paulo
Eleuterio Cavalcante de Albuquerque |
|
36 |
Manoel Bispo Correa – Alexandre
Vaz Tavares |
|
5 |
Maria Angela da Costa Nunes – Cora
Rola de Carvalho |
|
19 |
Maria José Araújo Souza – João
Álvares de Azevedo Costa |
|
34 |
Mauro Sérgio Soares Rabelo – Uriel
Sales de Araújo |
|
10 |
(VAGA) + Nilson Montoril de Araújo – Francisco
Torquato de Araújo |
|
27 |
Oton Miranda de Alencar – Oton
Accioly Ramos |
|
16 |
Paulo Fernando Batista Guerra – Jarbas
Amorim Cavalcante |
|
30 |
Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza – Pauxy
Gentil Nunes |
|
31 |
Paulo Tarso Silva Barros – Paul
Ledoux |
|
14 |
Piedade Lino Videira – Hildemar
Pimentel Maia |
|
37 |
Raquel Tourinho Braga – Francisco
Xavier da Veiga Cabral |
|
3 |
Ricardo Augusto dos Santos Pontes – Benedito
Alves Cardoso |
|
24 |
Ruben Bemerguy – Francisco Xavier de Mendonça
Furtado |
|
22 |
Saulo Carneiro Ribeiro – Lício
Mariolino Solheiro |
|
6 |
Tiago de Oliveira Quingosta de Souza – Desidério
Antonio Coelho |


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