quarta-feira, 21 de junho de 2023

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS - 70 ANOS CONSTRUINDO SABERES

 



                A Academia Amapaense de Letras, que completa hoje 70 anos, é uma Instituição fundada em Macapá, em 21 de junho de 1953, por cidadãos  que chegaram ao Amapá após a implantação do então Território Federal (1943), que se reuniram, estimulados  pelo governador Janary Gentil Nunes. Foram  12 membros, os fundadores, sendo sete efetivos e cinco honorários.

 

            DISCURSO DE JANARY NUNES

             Senhor presidente, senhores membros, excelentíssimas senhoras, senhores...  

            O Amapá é uma ideia em marcha para o porvir, é um sonho que se realiza a cada instante. Debruçado entre o Oiapoque e o Jarí no maciço guiano, cuja idade é da formação da terra, contempla na direção do nascente a imensidão do oceano e ao sul do gigantesco Amazonas, que liga os Andes ao mar vislumbrando seu destino universal. A história da incorporação de seu solo à pátria, é o mais inteligente e o ro escrito pela diplomacia luso-brasileira na fixação das nossas fronteiras.

            O Amapá merece assim uma academia, cujos membros sejam os garimpeiros de suas pedras preciosas ainda por descobrir, nesse cascalho rico que é o seu passado, nossa mina que é a sua natureza. Surpreende-nos entretanto, senhores acadêmicos, a honra demasiada que nos concedem, escolhendo-nos membros honorários de vossa sociedade. Não encontramos frases apropriadas para exprimir nossa gratidão a esse gesto que nos cativa eternamente.

            Desejamos que a Academia Amapaense de Letras, constituída de homens de cultura, acompanhe, participe e oriente a caminhada que o vosso povo vai trilhar. Os acadêmicos têm sido alvo de críticas nem sempre justas e serenas. Acusam-nos de esterilidade, de limitação à rebeldia criadora, de cenáculo vaidoso onde se esfria a chama sagrada da beleza.

            Mas tantas já foram as graças de Deus derramadas sobre esta terra, que as nossas esperanças se animam e dão-nos a certeza de que a Academia Amapaense de Letras formará um ambiente propício aos altos remígios do Espírito. O Amapá é um convite irresistível aos que possuem sensibilidade e aptidão para traduzir em palavras o que sentem.

            Antes da criação do Território, Aurélio Buarque escreveu interessante ensaio intitulado AMAPÁ. Alfredo Távora Gonçalves levou-nos o VERDADEIRO ELDORADO. Mário da Veiga Cabral nas edições de sua COROGRAFIA BRASILEIRA, divulgou episódios da formação da fronteira setentrional. Arthur Vianna fez a HISTÓRIAS DAS FORTIFICAÇÕES CONSTRUÍDAS PELOS PORTUGUESES. Palma Muniz, através dos ANAIS DA BIBLIOTECA E ARQUIVO PÚBLICO DO PARÁ, deu-nos a HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DE MACAPÁ, MAZAGÃO E MONTENEGRO. Jorge Hurley mostrou a participação de Macapá e Mazagão na Cabanagem. Emílio Goeldi situou as cerâmicas do Cunani e do Maracá. O general Rondon imprimiu RODOVIA MACAPÁ/CLEVELÃNDIA. Alexandre Vaz Tavares e Acelino de Leão cantaram as belezas de seu torrão natal. Pedro de Moura e Josalfredo Borges divulgaram elementos básicos de nossa geologia. Dois cientistas franceses publicaram volumosos ENSAIOS SOBRE A GUIANA BRASILEIRA. Henry Coudreau com LA FRANCE EQUINOCIALE e Brousseau com LES RICHESSES DE LA GUYANE FRANÇAISE.

            Macapá teve um jornal impresso: PINSONIA. Eis a obra em resumo de algumas famosas personalidades amapaenses ou que passaram por aqui deixando sua marca intelectual.

            Aguardam divulgação os estudos de Álvaro da Cunha, Alceu Magnani e Lucio de Castro Soares. Ainda não foram descritas como merecem, no seu heroísmo anônimo a existência do balateiro, esses caboclos indômitos que munidos de um pouco de sal, jabá e farinha, embrenham-se na mata, somem e desaparecem na floresta para voltarem meses após, maltrapilhos e doentes.  Eis senhores acadêmicos, alguns temas que pedem livros e mais livros. A cultura de um povo só se conquista acumulando experiências, somando conhecimentos, multiplicando pesquisas. Alcançaremos a meta que aspiramos.

Pioneiros da segunda metade do século XX, lutemos para fazer do Amapá, desta terra generosa e deste povo amigo, um conjunto amigo e feliz, onde não falte a crença que constrói nem a beleza e nem o amor.

Transcrito do jornal “O Amapá”, de 6 de julho de 1953.

 

MEMBROS FUNDADORES EFETIVOS 

Amilcar da Silva Pereira (tesoureiro); Benedito Alves Cardoso (presidente), Célio Rodrigues Cal;Gabriel de Almeida Café (secretário);  Heitor de Azevedo Picanço (bibliotecário); Jarbas Amorim Cavalcante; João Elias Nazaré Cardoso; Lício Mariolino Solheiro; Nelson Geraldo Safiatti; Mário Medeiros Barbosa; Oton Acciolli Ramos; Uriel Salles de Araújo. 

MEMBROS FUNDADORES HONORÁRIOS 

            Altino Pimenta; Coaracy Gentil Monteiro Nunes; Diniz Henrique Botelho; Hildemar Pimentel Maia; Janary Gentil Nunes. 

            Foi aprovado um Estatuto  e os nomes dos Patronos das cadeiras que, inicialmente, foram:

                                     PATRONOS 

            Acylino de Leão Rodrigues; Alexandre Vaz Tavares; Antonio Gonçalves Tocantins; Benedito Cardoso; Coaracy Gentil Monteiro Nunes; Cora de Carvalho; Desidério Antônio Coelho; Deusolina Salles Farias; Domingos Maltez; Emílio Goeldi; Francisco Torquato de Araújo; Francisco Xavier da Veiga Cabral; Francisco Xavier de Mendonça Furtado; Gabriel de Almeida Café; Georgenor Franco; Hildemar Pimentel Maia; Janary Gentil Nunes; Jarbas Amorim Cavalcante; João Álvares de Azevedo Costa; João Franklyn Távora; Joaquim Caetano da Silva; Joaquim Francisco de Mendonça Júnior; Joaquim Gomes Diniz; Jovino Albuquerque Dinoá; Júlio Maria de Lombaerde; Lício Mariolino Solheiro; Manoel Valente Flexa; Mateus Valente do Couto; Oscar Santos; Oton Acioli Ramos; Paul Ledoux; Paulo Eleutério Filho; Pauxy Gentil Nunes; Raimundo Álvares da Costa; Reinaldo Maurício Golbert Damasceno; Rocque de Souza Pennafort; Uriel Salles de Araújo; Vicente Portugal; Waldemiro Oliveira Gomes e Walkiria Lima. 

            Do período de fundação até o final de 1980, a entidade ficou  desativada por muitos anos, por vários motivos como: viagens de seus  integrantes, morte de alguns, e o pouco número  de autores em atividades, o que só começou  a mudar  nos anos 1990. 

            Em 31 de agosto de 1988, um grupo de  intelectuais reuniu-se visando reativar a Academia, com a entrada de novos integrantes: Antonio Cabral de Castro; Dagoberto Damassceno Costa; Estácio Vidal Picanço; Fernando Pimentel Canto; Georgenor de Souza Franco; Manoel Bispo Correa; Mário Quirino da Silva, e Nilson Montoril de Araújo. Dessa reunião, ficou composta uma diretoria provisória, cujos integrantes foram:

            Presidente: Nilson Montoril de Araújo; Vice-presidente: Dom Luiz Soares Vieira; Secretária: Aracy Miranda de Mont’Alverne; Tesoureiro: Antonio Carlos da Silva Farias; Diretor de Biblioteca e Arquivos: Dagoberto Damasceno Costa; Comissão de Contas: Antonio Cabral de Castro, Antonio Munhoz Lopes e Paulo Fernando Batista Guerra. Essa diretoria teve seu registro no Cartório Jucá, no livro A-5, Fls 160, nº 0558, em 23 de novembro de 1989, juntamente com o Estatuto vigente.

            Apesar do esforço do professor Nilson Montoril, a Academia continuou praticamente sem atividades pelos mesmos motivos da formação original. 

            Em 2017 alguns escritores incentivaram Nilson Montoril, e mais uma vez a Academia Amapaense de Letras teve seus membros remanescentes de 1989 e novos membros para  formar uma nova Diretoria, e mais uma vez concretizar os desafios de uma entidade literária atuante e com visibilidade no cenário cultural do Estado do Amapá. Essa diretoria ficou assim constituída:

            Presidente: Nilson Montoril de Araújo; Vice-Presidente: Manoel Bispo Correa; Secretário: Fernando Pimentel Canto; Tesoureiro: Antonio Carlos Farias; Diretor de Biblioteca e Arquivo: Luiz Alberto  Costa Guedes.

            Foram realizadas várias reuniões e lançado um edital, e 12 novos membros foram eleitos e posteriormente empossados, possibilitando a realização de novas  reuniões e até eventos de comemoração do aniversário da Academia, passando as reuniões a acontecerem na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda. A diretoria e  os novos integrantes, liderados pelo presidente Nilson Montoril, traçaram vários planos  de ação para dar continuidade aos trabalhos de 2022. Um novo Edital possibilitou, pela primeira vez, que a  Academia completasse as suas quarenta cadeiras e planejasse  voos mais altos pela cultura do Amapá.

 

2023: DIRETORIA ATUAL:

Presidente:  Fernando Canto

Vice-Presidente: Paulo Guerra;

Secretário: Paulo Tarso Barros

Tesoureiro: Benedito Rostan Martins


IMORTAIS DA ACADEMIA – POR CADEIRA 

CADEIRA

MEMBRO / PATRONO (A)

1

Gilberto de Paula Pinheiro - Acylino de Leão Rodrigues

2

Adaury Salles Farias - Raimundo Álvares da Costa

3

Ricardo Augusto dos Santos Pontes – Benedito Alves Cardoso

4

Fernando Pimentel Canto - Coaracy Gentil Monteiro Nunes

5

Maria Ângela da Costa Nunes – Cora Rolla de Carvalho

6

Tiago de Oliveira  Quingosta de Souz – Desidério Antonio Coelho

7

Benedito Rostan Martins - Deusolina Salles Farias

8

Luiz Soares Vieira – Cônego Domingos Maltez

9

Antônio Cabral de Castro. - Emílio Goeldi

10

(Vaga) + Nilson Montoril de Araújo – Francisco Torquato de Araújo

11

Ivan Carlo Andrade de Oliveira - Gabriel de Almeida Café

12

Georgenor de Souza Franco Filho -  Georgenor de Souza Franco

13

Jackson Correa da Silva - Antonio Manuel Gonçalves Tocantins

14

Piedade Lino Videira – Hildemar Pimentel Maia

15

Fernando Rodrigues dos Santos - Janary Gentil Nunes

16

Paulo Fernandes Batista Guerra- Jarbas Amorim Cavalcante

17

Jadson Luiz Rabelo Porto - Joaquim Caetano da Silva

18

João Wilson Savino Carvalho – Joaquim Gomes Diniz

19

Maria José Araújo Souza – João Álvares de Azevedo Costa

20

César Bernardo de Souza - João Franklyn Távora

21

João do Nascimento Barbosa – Jovino Albuquerque Dinoá

22

Saulo Carneiro Ribeiro – Lício Mariolino Solheiro

23

Luiz Alberto Costa Guedes – Manuel Valente Flexa

24

Ruben Bemerguy – Francisco Xavier de Mendonça Furtado

25

Alcinéa Maria Cavalcante Costa - Joaquim Francisco de Mendonça Jr

26

Edgar de Paula Rodrigues - Oscar Santos (Mestre Oscar)

27

Oton Miranda de Alencar – Oton Accioly Ramos

28

Cléo Farias de Araújo -  Padre Júlio Maria de Lombaerd

29

Manoel Azevedo de Souza – Paulo Eleutério Cavalcante Albuquerque

30

Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza – Pauxy Gentil Nunes

31

Paulo Tarso da Silva Barros – Paul Ledoux

32

Antônio Carlos da Silva Farias - Reinaldo Maurício Golbert Damasceno

33

Francisco Osvaldo Simões Filho - Rocque de Souza Pennafort

34

Mário Sérgio Soares Rabelo – Uriel Salles de Araújo

35

Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins - Matheus Valente do Couto

36

Manoel Bispo Correa – Alexandre Vaz Tavares

37

Raquel Tourinho Braga – Francisco Xavier da Veiga Cabral

38

José Queiróz Pastana – Vicente Portugal Júnior

39

José Alberto Tostes – Waldemiro Oliveira Gomes

40

Carlos Nilson da Costa - Walkiria Ferreira Lima

 

IMORTAIS DA ACADEMIA – ORDEM ALFABÉTICA

 

CADEIRA

MEMBRO / PATRONO (A)

2

Adaury Salles Farias – Raimundo Álvares da Costa

25

Alcinéa Maria Cavalcante Costa – Joaquim Francisco de Mendonça Jr.

9

Antonio Cabral de Castro – Emílio Goeldi

32

Antonio Carlos da Silva Farias–Reinaldo Maurício Golbert Damasceno

7

Benedito Rostan Martins – Deusolina Salles Farias

40

Carlos Nilson da Costa – Walkiria Ferreira Lima

20

César Bernardo de Souza – João Franklyn Távora

28

Cléo Farias de Araújo – Padre Júlio Maria de Lombaerd

35

Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins - Matheus Valente do Couto

26

Edgar Paula Rodrigues – Oscar Santos (Mestre Oscar)

4

Fernando Pimentel Canto – Coaracy Gentil Monteiro Nunes

15

Fernando Rodrigues dos Santos – Janary Gentil Nunes

33

Francisco Osvaldo Simões Filho – Roque de Souza Pennafort

12

Georgenor de Souza Franco Filho – Georgeor de Souza Franco

1

Gilberto de Paula Pinheiro – Acylino de Leão Rodrigues

11

Ivan Carlo Andrade de Oliveira – Gabriel de Almeida Café

13

Jackson Corrêa da Silva – Antonio Manoel Gonçalves Tocantins

17

Jadson Luiz Ribeiro Porto – Joaquim Caetano da Silva

21

João do Nascimento Barbosa – Jovino Albuquerque Dinoá

18

João Wilson Savino Carvalho – Joaquim Gomes Diniz

39

José Alberto Tostes – Waldemiro Oliveira Gomes

38

José Queiróz Pastana – Vicente Portugal Júnior

23

Luiz Alberto Costa Guedes – Manuel Valente Flexa

8

Luiz Soares Vieira (Dom) – Cônego Domingos Maltez

29

Manoel Azevedo de Souza–Paulo Eleuterio Cavalcante de Albuquerque

36

Manoel Bispo Correa – Alexandre Vaz Tavares

5

Maria Angela da Costa Nunes – Cora Rola de Carvalho

19

Maria José Araújo Souza – João Álvares de Azevedo Costa

34

Mauro Sérgio Soares Rabelo – Uriel Sales de Araújo

10

(VAGA) + Nilson Montoril de Araújo – Francisco Torquato de Araújo

27

Oton Miranda de Alencar – Oton Accioly Ramos

16

Paulo Fernando Batista Guerra – Jarbas Amorim Cavalcante

30

Paulo Roberto da Conceição Matias de Souza – Pauxy Gentil Nunes

31

Paulo Tarso Silva Barros – Paul Ledoux

14

Piedade Lino Videira – Hildemar Pimentel Maia

37

Raquel Tourinho Braga – Francisco Xavier da Veiga Cabral

3

Ricardo Augusto dos Santos Pontes – Benedito Alves Cardoso

24

Ruben Bemerguy – Francisco Xavier de Mendonça Furtado

22

Saulo Carneiro Ribeiro – Lício Mariolino Solheiro

6

Tiago de Oliveira Quingosta de Souza – Desidério Antonio Coelho




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