Localizada no
municipio de Oiapoque, a Área Indígena Juminá foi delimitada em 9 de março de 1989, pela portaria
ministerial nº 202, do Ministério da Justiça, abrangendo uma área de 41.601
km2, no município de Oiapoque.
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO RIO CURIAÚ
A Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú foi criada através do decreto estadual nº 1.417, de 28 de setembro de 1993.
Compreende uma área de 21.676
hectares , está situada no município de Macapá,
aproximadamente a 5 km
do perímetro urbano da capital. Uso sustentável. Sob a guarda da Sema.
Os pressupostos que levaram a
criação da APA do Rio Curiaú, basearam-se nos riscos que a expansão urbana da
Cidade de Macapá vinha causando à área de abrangência da bacia do rio Curiaú e
seus ecossistemas e ainda, a preocupação
em garantir a territorialidade das comunidades residentes, compostas
predominantemente por remanescentes de antigo quilombo afro-brasileiro,
assegurando-se assim, a integridade dos seus valores e raízes etno-culturais.
Seus ecossistemas predominantes são:
Mata de várzea – apresentando
um regime periódico de inundação, destacando-se pela variedade de palmeiras e
outras espécies de valor econômico, usadas na alimentação, na medicina ou com
outros fins;
Mata de Galeria – funciona
como corredor ecológico e contribui para a manutenção da fauna local;
Campos alagados – se
interligam através de uma rede de canais, lagos temporários e permanentes,
abrigando um significativo estoque de peixes, além de serem utilizados como
pastagens e atrativo turístico, por sua beleza cênica;
Cerrado – cuja importância
está ligada à proteção das nascentes do Rio Curiaú, além de ser uma das raras
amostras deste ecossistema protegido em Unidades de Conservação no Estado.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
EDNA CUNHA, PROFESSORA E MAESTRINA (1928-2018)
Professora de Música e maestrina de grupos
corais. Nasceu em Bragança-PA, em 1928. Morreu em Macapá-AP, aos 90 anos, em 1
de outubro de 2018. Se formou como professora pelo Instituto de Educação do
Pará em 1948. Casou-se com Juracy Ribeiro da Cunha (em memória) e juntos foram
trabalhar no então Território Federal do
Amapá em 1952. Em Macapá estudou teoria musical no Conservatório Amapaense de
Música, além de ter concluído inúmeros cursos de extensão músical pelo Brasil.
Professora Edna desenvolveu
uma carreira próspera no magistério de Macapá. Trabalhou no Instituto de
Educação do Território do Amapá – IETA, nas escolas Alexandre Vaz Tavares, e
Coaracy Nunes. Em 1976 foi nomeada pelo Secretário de Educação e Cultura para
desenvolver estudos para a implantação e organização de corais de alunos nas
escolas de 1º e 2º graus em Macapá. Entre 1955 a 1975 trabalhou na Escola de
Música Walkíria Lima com corais e ensino de teoria musical e solfejo.
Foi agraciada com muitos
prêmios e honrarias. Em 1976 recebeu o título de Professor do Ano e o Título
Honorífico da Câmara Municipal do Amapá, em 1999. Recebeu também o Diploma de
Destaque Cultural Popular do Conselho Estadual de Cultura, e o título de Honra
ao Mérito da Congregação Bete Seã em 2011 e da Convenção Estadual da Assembleia
de Deus no Amazonas, em 2014. Fundou o Coral do Serviço Social da
Indústria-SESI, que depois se tornou o Coral Vozes do Amapá, durante muitos
anos de atividade musical, apresentando inúmeros recitais de excelente
qualidade, pela cidade e interior. Paralelamente, a Professora
Edna dirigiu corais em várias igrejas de Macapá. Esteve como regente titular do
Coral Harmonias Angélicas, da Assembleia de Deus do Avivamento por quase 50
anos.
Ao morrer deixou 7 filhos,
26 netos e 12 bisnetos. Deu testemunho de integridade, lealdade e bondade para
toda sua família e amigos. De espírito guerreiro, resistiu a um forte AVC
(acidente vascular cerebral) aos 50 anos. Foi uma grande guerreira em vida. Seu
corpo descansa em paz, no cemitério de São José, no bairro Santa Rita.
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
APA DO RIO CURIAÚ, 27 ANOS DE CRIAÇÃO
A APA (Área de Proteção Ambiental) do rio Curiaú. Tem uma área geográfica de 23 mil
hectares, abrangendo importantes ecossistemas da região como as florestas e
campos de várzeas e o cerrado. Residem atualmente na área cerca de 1.500
pessoas divididas em quatro comunidades - Curiaú de dentro, Curiaú de Fora,
Casa Grande e Curralinho. Para essas pessoas, a preservação da beleza local é
uma questão da beleza local é uma questão também de sobrevivência: é preciso
manter os peixes, as garças e a graça do lugar.
Com o
olhar manso mas desconfiado, os moradores do curiaú lutam para preservar além
da beleza natural da região, a memória dos antigos escravos trazidos no século
XVII para a construção da Fortaleza de São José. Foram eles os formadores dos
pequenos núcleos familiares que originaram a vila do curiaú - antigo quilombo -
e demais comunidades existentes na área. Festeiras, essas comunidades encontraram
na comemoração de datas religiosas uma maneira de preservar a herança afro.
Esculpidas pelo sincretismo religioso, suas comemorações reúnem elementos
profanos - como o batuque e o marabaixo - e religiosos como as ladainhas em
latim, a procissão e a folia. Uma mostra desse sincretismo pode ser vista na
tradicional festa de São Joaquim, escolhidos pelos antigos escravos como
padroeiro do curiaú. Durante dez dias - 9 a 19 de agosto - as comunidades
reúnem-se para cantar sob a benção católica, as ladainhas caindo, pouco depois,
no ritmo quentes dos macacos - tambores feitos de tronco de macacaueiro e couro
de animais silvestres.
A
Vila de Cúriaú, situa-se a 08 Km de Macapá e se lança no Amazonas, localização
esta de fundamental importância histórica.
O negro
está presente na história do Amapá desde o começo da ocupação em meados do
século XVIII. Os primeiros chegaram a região em 1751, Trazidos como escravos
por famílias do rio de janeiro, Pernambuco, Bahia e Maranhão, que vinham povoar
Macapá. Em seguida começaram a ser importados da Guiné Portuguesa,
principalmente para a cultura do arroz. O maior contingente veio a partir de
1765 para a construção da fortaleza. m abril daquele ano, o governo do
Grão-Pará mantinha 177 negros escravos trabalhando no forte. Alguns morreram de
doenças como sarampo e malária e por acidente de trabalho. Outros conseguiram
fugir aventurando-se pelo lago do curiaú. Nessa região o português Manoel
Antônio Miranda mantinha propriedade, na chamada Lagoa de fora e não se
importou de acolher escravos. Também os franceses que procuravam fixar-se na
margem direita do rio Araguari estimulam a formação de quilombos. Em 1862,
quando a população de Macapá era de 2.780 habitantes, os negros escravos
somavam 722, cerca de 25%.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
PRESENÇA NAZISTA NO SUL DO AMAPÁ (1935 A 1937)
Expedição alemã que esteve no Rio Jari
A presença nazista no
Amapá foi registrada principalmente no rio Jari, através da obra de Cristóvão
Lins (Jarí, 70 anos de historia).
Próximo à cachoeira de Santo Antonio, segundo Lins, existe uma sepultura
marcada com suástica nazista.
De 1935 a 1937, quatro
alemães fizeram estudos no rio Jarí, montando acampamento de base perto da
cachoeira de Macaquara, nas proximidades de uma maloca de índios Aparai.
Alemães expedicionários
como Oto, Kalis, Joseph Grenner e Ricardo são pessoas que, representando a
Alemanha nazista, fizeram pesquisas no Jarí nos dois primeiros anos da segunda
metade da década de 30. Com a morte de um deles (Joseph Grener) os trabalhos
científicos foram encerrados. Não se sabe, contudo, se o falecimento foi a
causa do fim dos estudos ou se os três restantes deram-se por satisfeitos com
as informações colhidas.
Joseph Grenner foi capataz
da expedição. Devia ter 30 anos de idade quando em 1935 chegou ao Jarí. Falava
bem o português. Morreu repentinamente de febre, quando fora buscar
mercadorias, em lombo de burro, para o local onde estava seu pequeno barco.
O chefe dos pesquisadores
alemães parecia ser Oto, provavelmente geólogo. Teve uma filha com uma índia
Aparai, de nome Macarrani. Cristóvão Lins relata no livro que a filha de Oto e
a indígena era chamada Cesse: “Era branca e tinha os olhos azuis. O pessoal
chamava-a de ‘alemoa’, ela dizia que era Aparai. Mais tarde Cesse, que diziam
ser muito bonita, casou com um índio da tribo”.
A obra de Lins diz também
que quando Grener faleceu os seus companheiros de expedição estavam muito longe
de Cachoeira. E então o pessoal do local fez o sepultamento, mandando em
seguida avisar Oto, Ricardo e Kalis.
Ao tomarem conhecimento
das circunstâncias do ocorrido, os três alemães foram ao cemitério ver o local
onde Grener tinha sido enterrado. De Cachoeira embarcaram para Belém. Dois
meses depois Oto e outro membro retomaram a Santo Antonio de Cachoeira com uma cruz em acapu de três
metros de altura.
Na madeira da cruz foram
gravadas letras em idioma alemão e suástica nazista, cuja tradução em português
é a seguinte: “Joseph Grener faleceu aqui em 02.01.36 de morte de febre em
serviço de exploração para Alemanha. Expedição Alemanha Amazonas Jarí.
1935-1937.”
Nota: As imagens que ilustram
este texto foram transcritas da obra de Cristóvão Lins: Jari 70 Anos de
História
sábado, 14 de setembro de 2019
AÇORIANOS NO AMAPÁ
Migrantes que povoaram Macapá, a
partir de 1750, os açorianos eram oriundos do arquipélago dos Açores, situado
no Atlântico Norte, e que constitui atualmente parte do território de Portugal.
O primeiro grupo de açorianos chegou em 19 de dezembro de 1751. Eram 302
pessoas, que saíram de Belém para colonizar Macapá. Em 25 de dezembro chegam ao
povoado mais 2 mil, com varias cabeças de gado para o desenvolvimento da
pecuária.
Em 12 de março de 1773, o grupo sobrevivente de várias epidemias sai de
Macapá e migra para Mazagão. Esse êxodo provoca uma fase de decadência em Macapá. O próprio
administrador militar de Macapá, sargento-mor Manuel da Gama Lobo d’Almada,
abandona Macapá por alguns meses para organizar a população nascente de
Mazagão.
Em 1856, com a elevação de Macapá à categoria de cidade, já não tinham
mais açorianos em Macapá.
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
O 13 DE SETEMBRO DE AGORA E OUTRORA
Vários fatores foram incisivos para
a criação de uma corporação política no
Amapá, desde o período colonial. Entre eles, destacamos o surgimento da Colônia
Militar Pedro II (1840), o governo do Triunvirato (1894), o Território de
Aricari (1901) e a Colônia Militar de Clevelândia, no Oiapoque.
Por volta de 1836, quando o movimento nativista cabano
grassou em toda a região do Pará, promovendo clima de tensão e medo, a
Fortaleza de São José de Macapá, abrigou as tropas legalistas (anti-cabanagem)
que vinham das Juntas Governativas de Belém e Santarém, com a intenção de
frear a ação dos revolucionários cabanos
nas ilhas próximas a Macapá e Mazagão. A defesa do lado amapaense foi
brilhante, e nenhum grupo cabano conseguiu tomar Macapá ou Mazagão nesse
período.
Após a cessação do movimento, com a
prisão dos revolucionários sobreviventes, o Governo Imperial, ouvindo os rogos
das lideranças do Norte, resolve criar em 1840 a Colonia Militar Pedro II, situada na região do Araguari. O
surgimento desta corporação foi necessário, em razão das constantes ameaças
francesas na região setentrional. Nesse mesmo período as conversações em torno
da neutralização da área contestada (Amapá, do Oiapoque ao Araguari) estavam em
andamento.
Em 1893 (outros mencionam 1894) os
brasileiros Germano e Firmino Ribeiro descobrem ouro nas cabeceiras do rio
Oiapoque, dentro dos limites contestados pela França. Mesma época o Diretório
de Paris havia criado em Cayenne, na Ilha do Diabo, uma penitenciaria para
abrigar presos políticos contrários ao regime francês vigente. Os “creolos” de
Cayenne, frente á mudança da situação na Guiana, e com grandes esperanças na
descoberta do metal prcioso, passaram a migrar para a região das minas, próximo
a atual Calçoene, provando um verdadeiro “russ” no local. A região se transformou
em “inferno a céu aberto” e “terra sem dono”, com a presença de pessoas de
várias nacionalidades e de todos os tipos de comportamentos, que não pensavam
duas vezes em cometer assassinatos pela posse do ouro.
Ano de 1900. Após a invasão de franceses á então localidade de Amapá, e a resolução suíça dos destinos do Contestado, com a integração da região ao Pará, ocorrem vários movimentos políticos de pequena monta, como a chamada “Revolução Macapaense”, em que tropas do Exército brasileiro, ao comando do tenente Pompeu Aureliano de Moura, comandante militar de Macapá, inconformadas com a decisão do Chefe de Policia de Belém, em ter tirado o encargo do policiamento da cidade do Exército aquartelado na Fortaleza, para a responsabilidade de novos policiais treinados em Belém, esses militares resolvem tomar Macapa por um mês, bloqueando tanto a entrada como a saída de pessoas. A insurreição, mais tarde sufocada por um almirante do 4º Distrito Naval, a pedido do Chefe de Policia de Macapá Aprigio Perez Nunes, passou para a historia como um movimento revolucionário, e reacendeu nas mentes do então intendente Coriolano Jucá, e do juiz Manuel Buarque, a chama de autonomia para a região.
Ano de 1900. Após a invasão de franceses á então localidade de Amapá, e a resolução suíça dos destinos do Contestado, com a integração da região ao Pará, ocorrem vários movimentos políticos de pequena monta, como a chamada “Revolução Macapaense”, em que tropas do Exército brasileiro, ao comando do tenente Pompeu Aureliano de Moura, comandante militar de Macapá, inconformadas com a decisão do Chefe de Policia de Belém, em ter tirado o encargo do policiamento da cidade do Exército aquartelado na Fortaleza, para a responsabilidade de novos policiais treinados em Belém, esses militares resolvem tomar Macapa por um mês, bloqueando tanto a entrada como a saída de pessoas. A insurreição, mais tarde sufocada por um almirante do 4º Distrito Naval, a pedido do Chefe de Policia de Macapá Aprigio Perez Nunes, passou para a historia como um movimento revolucionário, e reacendeu nas mentes do então intendente Coriolano Jucá, e do juiz Manuel Buarque, a chama de autonomia para a região.
Em
1901, após a resolução do conflito franco-brasileiro através do governo da Suiça,
Walter Hauser, que deu ganho de causa ao Brasil sobre a questão do Contestado
(1º de dezembro de 1900 – Laudo Suiço), o governo estadual do Pará cria o Território de Aricari, abrangendo a
região antes contestada, situada entre o Oiapoque e o Araguari. Clevelandia
surge a partir de 1926, inicialmente como colônia penal, e depois como colônia
agrícola, culminando com uma colônia militar a partir de 1926. Com o advento do
Território do Aricari, a porção antes contestada do Amapá passou a abranger a
nova circunscrição, ficando Macapá e Mazagão a condição de simples municípios
do Pará.
A ascensão de Getúlio Vargas ao governo do Brasil em 1930 modificou um pouco o cenário nacional, ao mesmo tempo em que intensificou, novamente, a cobiça internacional pela Amazonia. Assim, novamente os estudiosos de questões fronteiriças se arvoraram na criação de projetos de aproveitamento das áreas fronteiriças da região setentrional do Brasil, uma vez que o Amapá já tinha sido palco destas cobiças.
Assim foi elaborado um projeto de
ocupação do Amapá, que imediatamente não foi cumprido, em razão de problemas
que o Governo Central tinha, por causa da eclosão da Segunda Guerra Mundial.
Inicialmente Getúlio Vargas tentou se manter na neutralidade, mas com a entrada
dos Estados Unidos no conflito em dezembro de 1941, e da Conferencia dos
Chanceleres Americanos, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, foi determinado
o rompimento de relações entre os países americanos e as nações do “Eixo”.
Assim, Getulio Vargas rompeu relações diplomáticas com a Alemanha e o Japão. Em
22 de agosto desse mesmo ano, com a declaração americana de guerra á Alemanha,
o Brasil se envolve no conflito.
Em conseqüência desta decisão e da
necessidade de se melhor estruturar o pais para enfrentar as adversidades
provocadas pela guerra, Vargas reativa o projeto de áreas que protegessem as
fronteiras brasileiras. Assim, ressurge a necessidade de ocupação do Amapá.
Nas Constituições de 1934 e 1937,
são proclamadas a existência de áreas territoriais diretamente dirigidas pelo
poder federal. Assim, ganham corpo os status de Territórios Federais. Essas
áreas seriam incorporadas ao estado brasileiro, das áreas provenientes da perda
de autonomia do Estado que revelasse incapacidade financeira para administrá-lo
e promover-lhe o desenvolvimento, como foi o caso do Pará em relação ao Amapá.
Contudo, somente em 10 de dezembro de 1940, o governo federal começaria as
providencias para concretização do dispositivo constitucional, quando
presidente Getulio Vargas, em Manaus, num discurso afirmara que a partir
daquela data a recuperação da Amazonia seria uma meta de prioridade numero um
de seu governo.
O pronunciamento do presidente
Vargas reacendeu nos amapaenses as esperanças de autonomia da região, que no
entanto, só se concretizaram em 13 de setembro de 1943 com a edição do
decreto-lei nº 5.812, que além do Amapá criou também os territórios federais de
Rio Branco (Roraima), Guaporé (Rondonia), Ponta Porã e Iguaçu. De todos, o
Território Federal do Amapá passou a ser “a menina dos olhos” do Governo
Federal, por sua posição geográfica e por ter os americanos construído uma base
militar aérea que servia de ponto estratégico para incursões militares no norte
da ´`Africa, durante o conflito bélico mundial, e proteger a entrada da
Amazõnia, demovendo qualquer intenção de invasão e ficar vigilante ás
movimentações nas Guianas, cujos países que os colonizavam estavam
completamente envolvidos no confronto e enfrentando dificuldades diante das
tropas inimigas.
Com a derrota iminente das forças do
“Eixo” em 1945, aumentaram as pressões internas pela democratização do país, já
que ele passou por uma experiência de ditadura getulistas. Pressionado, Vargas
marcou as eleições para a presidência da Republica e para o Congresso Nacional.
A esse sinal as forças políticas organizaram-se.
No Território do Amapá ainda não havia partido político
legalizado, existindo apenas simpatizantes do Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB). Janary Nunes (primeiro governador) agindo com cautela, não decidiu logo
em qual partido filiar-se. Ficou na expectativa dos acontecimentos políticos
nacionais, que cada dia que passava tornava-se o quadro cada vez mais incerto e
confuso.
O Partido Social Democrata (PSD), no
dia 19 de março, lançou o general Eurico Gaspar Dutra como candidato á
presidência. Ainda nesse mês o governador do Pará, Magalhães Barata, hipoteca
publicamente apoio ao mesmo. A decisão contribuiu para que Janary Nunes se decidisse também em apoiá-lo.
Quando ainda se organizava o PSD no
Amapá, ganhou projeção nacional a candidatura de um outro militar, o brigadeiro
Eduardo Gomes, da UDN (União Democratica Nacional) com a possibilidade de ser
eleito. Esse candidato, num comício em São Paulo, em 16 de junho, na exposição
de seu programa de metas, propunha a extinção dos Territórios Federais e sua
integração aos Estados de origem. Esta foi a “deixa” para que Janary Nunes
fizesse uma oposição radical ás idéias de Eduardo Gomes. Assim, ele pronunciou
um inflamado discurso conclamando os amapaenses a aderirem a candidatura
pessedista, que logo ganhou adesão da quase totalidade da população,
principalmente porque no programa do partido, ao contrário das metas da UDN, se
propugnava pela manutenção dos Territórios Federais.
Em 2 de dezembro realizaram-se as
eleições para presidente do Brasil e o congresso Nacional. No Territorio do
Amapá se votou apenas para presidente e logo as urnas foram apuradas, com o
general Dutra obtendo a maioria dos votos do eleitorado amapaense.
A apuração nacional no dia 15 de
dezempreo indicava a preferência do eleitorado pela candidatura pedessita. Na
capital federal se preparava uma grande festa para a posse do novo presidente e
o retorno da democracia ao Brasil. Para participar desse acontecimento e tratar
de sua permanência no governo do Território do Amapá, Janary Nunes seguiu para
o Rio de Janeiro no dia seguinte e seis dias após foi recebido pelo presidente
eleito. Saiu do encontro confirmado como governador amapaense.
Os congressistas eleitos se tornaram
constituintes e ao iniciarem os trabalhos, parlamentares udenistas retomaram a
questão da extinção dos territórios. O deputado Hugo Carneiro, do PSD acreano,
passou a defender com insistência a manutenção dos mesmos, postulando que, ao
contrário, se deveria conceder a essas unidades federais, três vagas á Camara
Federal. Mas a proposta foi rejeitada, decidindo os parlamentares apenas por
manter dois representantes para o Acre e estabelecer uma representação para os
demais territórios. Todavia, as discussões sobre a extinção prosseguiram,
encaminhando-se para acabar com as aspirações da população do Amapá de
autonomia da região.
O posicionamento udenista na
Constituinte, principalmente dos sulistas preocupava Janary Nunes, apesar de
serem minoria no Congresso Nacional. Como conseqüência segue á Capital Federal
(ainda o Rio de Janeiro), para acompanhar as discussões e exercer com os outros
governadores territoriais pressão sobre os parlamentares pessedistas para
cumprimento da proposta de campanha pela manutenção dos territórios. Essa
questão o preocupava muito porque evidenciava que não prevaleceria a fidelidade
partidária e sim os interesses regionais.
O deputado paraense João Botelho, na
segunda quinzena de junho, apresenta á Comissão Constitucional sugestão para
que os Estados os quais os territórios tinham sido desmembrados recebessem
indenização por causa do desmembramento, como o foi o Pará no caso do Amapá.
Simultaneamente á proposta, setores da Imprensa do Pará iniciara uma campanha
pela extinção dos Territorios federais, sem, contudo, chegar a influenciar e
tampouco externar a opinião sobre o assunto da totalidade dos constituintes
paraenses, cuja maior bancada era a do PSD e liderada pelo agora senador
Magalhães Barata, um ferrenho defensor pela manutenção dos Territorios, porque
, segundo ele, uma possível reabsorção só traria despesas aos Estados.
A comissão de projetos das
Disposições Transitórias da Constituição de 1946, no dia 4 de setembro, dá por
encerradas as discussões sobre o assunto, e por 39 a 2 votos decide-se pela
extinção somente dos territórios de Ponta Porã e Iguaçu, permanecendo Amapá,
Roraima e Rondonia.
A extinção do Territorio Federal do
Amapá só se dará em 5 de outubro de 1988, com a Constituição Cidadã que o
transformou em mais um Estado membro da União.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
ACIA: UM POUCO DE HISTÓRIA
A
Associação Comercial e Industrial do Amapá – ACIA, foi fundada em Macapá no dia
24 de julho de 1945, pouco tempo depois da instalação do Território Federal do
Amapá, em 13 de setembro de 1943. Constituída como sociedade civil de direto
privado, a Associação Comercial e Industrial do Amapá é a mais antiga
organização de sociedade amapaense, representativa dos interesses das
categorias econômicas do comércio, da indústria e dos serviços, em atividade
permanente.
Sendo
o Território Federal, por suas características próprias, uma unidade federada
marcada pelo autoritarismo estatal e pela presença preponderante do poder
público nas atividades econômicas, a Acia desempenhou papel fundamental na
construção dos ideais da iniciativa privada no Amapá, tendo sido, durante muito
tempo, o único fórum de debates independente a estimular as discussões sobre os
princípios da livre iniciativa e da economia de mercado.
Atenta à peculiar situação geográfica
do Amapá, fisicamente isolado do resto do Brasil, a Acia dedicou especial
atenção às discussões dos assuntos pertinentes à navegação fluvial, com o
objetivo de facilitar as relações comerciais com o país e o exterior, e à
construção das estradas de rodagem, para a integração intrarregional.
O pioneirismo da Acia também se
manifesta no patrocínio da criação de todas as entidades de expressão,
sindicais ou associativas, representantes de segmentos específicos do comércio,
da indústria e dos serviços: foi a matriz de onde surgiram a Câmara de
Dirigentes Lojistas de Macapá - CDL, a Federação do Comércio de Bens, Serviços
e Turismo do Estado do Amapá - Fecomércio/AP, Federação das Indústrias do
Estado do Amapá – Fieap, Associação Amapaense dos Supermercados - AMAPS, Associação
dos Distribuidores e Atacadista do Estado do Amapá - ADAAP e Associação dos
Importadores do Amapá.
Outra demonstração de compromisso com
o desenvolvimento econômico do Território e depois do Estado do Amapá, e do
prestigio angariado junto às autoridades do poder público e da representação
política, foi a luta exitosa para a criação e instalação de duas instituições
públicas, pilares de sustentação das atividades econômicas do Amapá: a Junta
Comercial, em 1973, e a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana - ALCMS, em
1991. Não por coincidência, as instalações da Acia serviram de sede, tanto para
Junta Comercial, como para a Suframa, autarquia que administra a ALCMS, nos
seus primeiros anos de funcionamento.
A Acia continua sendo referência
obrigatória quando o assunto é o desenvolvimento econômico do Amapá. A
diversificação da matriz econômica obrigou a especialização na representação
das novas e diversificadas categorias econômicas. No entanto, isso em nada
alterou o papel da Acia na interlocução entre o poder público e os setores
produtivos do Estado e, nesses, entre os vários segmentos que os compõem.
Mantém-se, assim, na atualidade, como a mais importante entidade de
representação das categorias econômicas amapaenses, resguardando, ao mesmo tempo,
sua importância histórica originária.
Brevemente, a entidade receberá da
Construtora ICON os pavimentos térreo, primeiro e o décimo sexto do magnífico
edifício da ACIA, situado na Av. Fab com General Rondon. A nossa expectativa é
grande, pois será um dos marcos principais da história da entidade de quase
sete décadas.
A Associação Comercial e Industrial do
Amapá reconhece o grandioso trabalho feito pelos presidentes e diretores que
nos antecederam, agradecendo aos mesmos, todo o empenho que tiveram para que
hoje tenhamos a certeza do recebimento da nova sede da ACIA.
FOTO MEMÓRIA: PEDRO TEIXEIRA
Explorador
português que esteve em incursões pelas terras do Amapá no período colonial,
Pedro Teixeira é figura de grande destaque da história amazônica. Nasceu em
Castanhede, a duas léguas de Coimbra, segundo Cândido de Melo Leitão.
Foi genro de Diogo de Campos Moreno, cuja filha seria viúva, ou então teria
casado novamente como viúva, pois é conhecido, também, que d. Catarina d’Avila,
casada com Pedro Correa de Bittencourt, sargento-mor do Pará em 1632, era sua
enteada. A data de nascimento, portanto, ainda é desconhecida. Faleceu em
Belém, em 4 de junho de 1641, poucos dias após ter sido nomeado governador do
Pará. Chefiou, em 1629, uma expedição ao
longo do rio Amazonas. Partiu de Belém (Pará) e atingiu Quito, no Peru,
descobrindo o Rio Negro. A expedição ataca a feitoria do Forte do Torrego
na Ilha dos Tucujus (atual Macapá). Derrotados, os holandeses se retiram; mas
Macapá era uma posição estratégica levando-os a retomarem mais tarde. Ocorriam
novas batalhas, mas com vitória dos lusitanos. Outro forte foi tomado: o de
Cumaú (Massapá), de propriedade inglesa, que em 1631 foi transformado em
Fortaleza, com o nome de Fortaleza de Santo Antonio de Mcapá. (CARVALHO,
1998:166.
É
considerado o mais importante fronteiro da história da Amazônia, pois fixou o
marco de oeste que possibilitou a Portugal, e depois ao Brasil, estender-se até
os limites atuais que outros, também grandes, demarcaram, como Francisco
Caldeira Castelo Branco, que fundou Belém (Pará), e Bento Maciel Parente,
primeiro donatário da Capitania do Cabo do Norte (primeira nomenclatura política
das terras do Amapá).
Sua
atuação nas terras do Cabo do Norte foi definitiva para a conquista do grande
patrimônio amazônico e do próprio Amapá atual. Em companhia do sogro Diogo
de Campos Moreno, entrou para a História do Brasil, quando o acompanhou ao
Rio Grande para juntar-se a Jerônimo de Albuquerque (depois Maranhão). Era
alferes e, com o então soldado Antonio Teixeira de Melo, foi mandado
escolher lugar de boa guarda para a tropa portuguesa que iria combater os
franceses alojados na Ilha de São Luis. Foi escolhido o local de Juaxinduba,
onde o engenheiro Francisco de Frias ergueu um forte. Pedro Teixeira
tomou parte, pois, nas ações contra os franceses, inclusive na batalha do dia
19 de novembro de 1914.
Com
a finalização dos componentes da expedição que iriam ao Pará, Pedro Teixeira
acompanhou Castelo Branco, em sua estréia, para levar a Jerônimo
de Albuquerque Maranhão, por terra, a notícia do feliz evento. Partiu Pedro
Teixeira acompanhado por Antonio da Costa, dois soldados e trinta
índios, no dia 7 de março de 1616, subindo o rio Guamá até a atual cidade de
Ourém.
terça-feira, 6 de agosto de 2019
ABRIGO SÃO JOSÉ
O Abrigo São José é
uma Instituição filantrópica criada em 18 de março de 1965 por um grupo de
mulheres voluntárias, que na época, perceberam a necessidade da construção de
uma instituição para idosos. Inicialmente
a instituição atendia a todos os idosos, sozinhos ou que moravam em casa de
filhos, que passavam necessidades ou não. A partir de 1969,em razão do aumento
da população de velhinhos, começou a ser implantado um sistema de triagem,
levando-se em conta a situação sócio-econômica de cada um.
Em 14 de março de 2002
o Abrigo são José é transformado em Centro de Referencia para Tratamento
de Idosos, com um orçamento anual de R$ 500 mil. 9 a 20 de janeiro de
2012. Qualificação, pela Sims[1],
dos servidores da instituição.
quinta-feira, 18 de julho de 2019
TOM SOBRAL REALIZA SUA VIAGEM DEFINITIVA
TOM SOBRAL (1950-2019)
Seu nome
completo foi Antonio
Vieira Sobral, carinhosamente conhecido como Tom Sobral. Psicólogo, bacharel em
Direito e Vereador pelo municipio de Macapá de 1997 a 2000, Tom foi
cearense de Iguatu, nasceu em 19 de agosto de 1950, e faleceu hoje, 18 de julho
de 2019, em Macapá-AP. Estava no Amapá desde 1990, vindo de Fortaleza. Após ter
se recuperado do mau uso das drogas, fundou em Macapá uma comunidade
terapêutica denominada Monte Tabor.
Na
juventude cearense Tom Sobral foi líder
estudantil, presidente de grêmios e de diretórios acadêmicos. Passou a infância
na capital cearense, mas formou-se em Psicologia Clínica em João Pessoa e em
Direito em Macapá. Foi vereador de
Macapá por dois mandatos: janeiro de 1997 a dezembro de 2000 (VII Legislatura)
e Janeiro de 2001 a dezembro de 2004 (VIII Legislatura).
Tom Sobral deixa um grande legado, o
de que é possível se recuperar das drogas. Tom ficará no coração de todos,
principalmente daqueles que passaram pelo Monte Tabor, e hoje continuam como
cidadãos de bem.
terça-feira, 16 de julho de 2019
RESERVA BIOLÓGICA DO LAGO PIRATURA, 39 ANOS DE EXISTÊNCIA
Criada pelo decreto federal 84.914, de 16 de julho de 1980, a
RESERVA BIOLÓGICA DO LAGO PIRATUBA, possui uma área de 395.000 ha. Está
localizada estado do Amapá, a leste do município de Amapá. O acesso pode ser
por via terrestre e fluvial. Partindo-se de Macapá pela rodovia BR-156
(Macapá-Oiapoque), percorre-se 50 km de
até atingir o lugarejo de Cotias, à margem direita do rio Araguari. Daí
parte-se de barco viajando aproximadamente uma hora, até atingir a Reserva. A
cidade mais próxima é Cutias do Araguai que fica a 150 Km da capital. Possui
formações pioneiras, manguezais e campos inundáveis.
ASPECTOS CULTURAIS E HISTÓRICOS
A pecuária e a agricultura no Amapá se caracteriza como uma
atividade rudimentar, com a criação bovina basicamente "crioulo",
tendo ainda a introdução de bubalinos que vem ocupando o mercado pecuário
local.
ÁREA, LOCALIZAÇÃO E ACESSOS
Possui uma área de 395.000 ha. Está localizada estado do
Amapá, a leste do município de Amapá. O acesso pode ser por via terrestre e
fluvial. Partindo-se de Macapá pela rodovia BR-156 (Macapá-Oiapoque), percorre-se 50 km de até atingir o lugarejo
de Cotias, à margem direita do rio Araguari. Daí parte-se de barco viajando
aproximadamente uma hora, até atingir a Reserva. A cidade mais próxima é Cotias
do Araguai que fica a 150 Km da capital.
CLIMA
A temperatura média anual é da ordem de 26 ºC, sendo os meses
de setembro a dezembro os mais quentes, e junho a agosto, mais amenos, com
mínima nunca inferior a 22 ºC. A precipitação anual é superior a 3.250 mm, com
um período seco entre setembro e novembro. A umidade relativa do ar fica em
torno de 80%.
O QUE VER E FAZER (ATRAÇÕES ESPECIAIS)/ÉPOCA IDEAL PARA
VISITAÇÃO
As REBIOs somente atendem pesquisadores e ações de educação
ambiental.
RELEVO
O relevo é caracterizado por apresentar grandes planícies. A
região é sujeita a inundações periódicas, com trechos permanentemente alagados,
com caraterísticas de colmatagem evidenciados pelos palecanars e lagos
residuais. As planícies são formadas por sedimentos de origem mista, fluvial e
marinha.
VEGETAÇÃO
Existe grande diversidade de formações vegetais e
ecossistemas, abrigando algumas manchas de Floresta Tropical Densa de planície
aluvial, compreendendo a sub-região dos campos de planície do Amapá e a
sub-região do litoral (manguezal), bem como os ecossistemas de transição entre
estas formações. O mangue ocupa áreas justamarítimas, da foz do rio Araguari
até o canal Turiura no limite norte da Reserva, apresentando espécies como a
siriúba, o mangue-vermelho e o mangue-amarelo.
FAUNA
A fauna da Reserva é muito rica e diversificada. Entre os
quelônios é provável a ocorrência de várias espécies. Já foram registradas
desovas, nas praias arenosas entre os rios Calçone e Amapá das tartarugas
marinhas de duas espécies (Chelonia midas e Dermochelys coriacea). várias
espécies de aves utilizam-se dos manguezais como ponto de apoio para suas
migrações como o pelicano, por exemplo. Avista-se ainda a águia-pescadora, o
maçarico e o talha-mar, entre outros. A formação dos campos alagados tem como
residentes a capivara, lontra, o mão-pelada e a preguiça.
USOS CONFLITANTES QUE AFETAM A UNIDADE E SEU ENTORNO
Utilização desordenada dos recursos naturais da Reserva pelos
habitantes das vilas circunvizinhas, praticando principalmente a caça e pesca
predatória; e a invasão de búfalos.
PLANEJAMENTO
Plano de Manejo não elaborado.
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A UNIDADE
Número total de Funcionários: 06 funcionários do IBAMA.
Infraestrutura disponível: 7 casas de madeira, sendo que 3 em Vista Alegre e 1
no Igarapé Piranha; 1 sede no posto
Tabaco; 2 flutuantes de fiscalização no interior dos lagos; 09 motores de popa; 05 lanchas voadeiras, 1
D-20; 06 rádios transmissores e 150 Km de vias fluviais dentro da unidade.
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